
Aparências ditas “Masculinas” e “Femininas”
À primeira vista, o uso dos códigos e atributos ditos masculinos ou femininos parece sujeito a uma certa ambivalência na comunidade lésbica. Assim, se algumas notam que as lésbicas que adotam a aparência feminina podem exercer uma certa fascinação, ser mais freqüentemente cortejadas e, de uma maneira geral, ser bastante procuradas, porque existem muitas lésbicas que acham que as lésbicas não são muito femininas, para outras, existe uma valorização, neste meio, de uma mulher mais masculina, apesar de tudo.
Mas esta coexistência de discursos aparentemente contraditórios ganha um novo sentido quando se observa que existe, paralelamente, e de maneira muito nítida, uma recusa dos dois extremos, do que é interpretado como ultra masculino ou ultra feminino. As observações, valorizando uma certa masculinidade ou uma certa feminilidade, deverão ser lidas, antes de tudo, em oposição a um ou outro destes dois extremos.
E você, o que acha?
Texto tirado da tese Além das Aparências de Céline Perrin e Natacha Chetcuti