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Flor do Asfalto
flordoasfalto@uol.com.br


Escrito por Flor do Asfalto s 11h55 PM
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Ativos, Passivos e ideologia heterossexual

Por Klcius Borges
[Seo Papo Cabea do site www.gonline.com.br]


Uma das mais importantes fontes de tenso num primeiro encontro entre dois gays relativa definio dos papis sexuais. Quando no h a oportunidade de checar a preferncia do parceiro a priori (em encontros fortuitos, por exemplo), muitos procuram identific-la a partir da observao de certos padres de atitude e de comportamento (quase sempre baseados em esteretipos de masculinidade). E mesmo quando j se tem a informao (como no caso dos encontros via internet), paira sempre a dvida sobre se o declarado na fase de negociao corresponde de fato verdadeira preferncia do outro. Principalmente quando no h preferncia declarada, ou seja, quando a opo verstil a escolhida.

Noto na minha prtica clnica que essa tenso pode adquirir um nvel extremamente alto, pois para muitos gays a definio dos papis sexuais freqentemente um fator determinante para a continuidade do relacionamento. Ou seja, no se trata, em muitos casos, simplesmente de uma preferncia sexual, mas sim de uma condio sine qua non para o futuro da relao. preciso que haja uma combinao perfeita, um ativo e o outro passivo, o que faz com que os versteis sejam vistos com uma certa suspeio (como se na prtica tivessem uma preferncia, que mais cedo ou mais tarde acabar prevalecendo).

continua



Escrito por Flor do Asfalto s 11h41 PM
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continuao

Embora a questo do papel sexual possa ser vista sob o ngulo da preferncia por uma modalidade de prtica sexual (e, portanto, de prazer sexual), ela na verdade bem mais complexa, pois carregada de significados psicolgicos profundos, normalmente associados a um poderoso jogo de poder, baseado nas polaridades de dominao e submisso. Assim, ativos tendem a obter sua satisfao no apenas pela penetrao em si, mas tambm pela sensao de dominao que experimentam em relao ao seu parceiro. Passivos, por sua vez, gratificam-se com o prazer de serem penetrados e tambm de serem dominados. Esses jogos, mais evidentes na relao sexual propriamente dita, costumam se dar tambm nas relaes fora da cama e representam uma importante fonte de tenso, responsvel pela manuteno de muitas relaes.

A atrao que dominados tm por dominadores (e vice-versa) pode funcionar como um poderoso m sexual, mas pode ser tambm o reflexo de um padro recorrente de relacionamento afetivo-sexual. Ou seja, um nico jeito (e que, portanto, sempre se repete) de vivenciar a experincia de amar e ser amado. Esses padres costumam ser fixados muito cedo, a partir de experincias afetivas significativas, e por isso tendem a ser difceis de serem alterados.

Se nas relaes heterossexuais esses jogos representam, em maior ou menor grau, as polaridades tradicionalmente associadas aos gneros masculino e feminino (pelo menos na forma como a sociedade ocidental os v), nas relaes homossexuais eles adquirem um carter altamente limitador, uma vez que no so necessariamente essas as polaridades a serem integradas. O relacionamento entre dois homens e, portanto, entre iguais possibilita na verdade a unio entre vrios outros pares de opostos alm da dualidade homem-mulher. Exatamente por envolver dois homens e no estar sujeita ideologia que estabelece a heterossexualidade como padro universal de sexualidade que a relao entre gays encerra mltiplas possibilidades afetivas e sexuais.

Os s ativos e os s passivos, tanto na cama como na vida, podem estar no apenas reproduzindo de forma inconsciente um padro heterossexual estereotipado, mas tambm perdendo a oportunidade de explorar e descobrir outras formas de amar e ser amado.


Klecius Borges Psiclogo (CRP 06/6283) e atua em terapia afirmativa
terapiafirmativa@uol.com.br



Escrito por Flor do Asfalto s 11h32 PM
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