Dica de Leitura

 

Vivncia transexual: o corpo desvela seu drama

De Maria Jacqueline Coelho Pinto e Maria Alves de Toledo Bruns

Editora tomo & Alnea - 

 

Resumo:
Discusses sobre a sexualidade humana tm surgido freqentemente em decorrncia dos avanos no conhecimento da sade, e por ser um assunto controverso, digamos, at preconceituoso ou mesmo um "tabu", pois quando o tema transexualidade, h uma busca frentica no sentido de desvendar esse fenmeno. Na experincia com esse trabalho e em contato com transexuais, comeamos a nos envolver com esse instigante fenmeno e passamos a nos indagar como seria a trajetria de vida dessas pessoas, como vivenciam sua sexualidade? Como se desenvolve? Como a vivncia de se perceberem como transexuais? Esses questionamentos mobilizaram-nos inquietaes e curiosidades, tornando-se o ponto desencadeador da busca por esta pesquisa que teve como colaboradores 14 transexuais masculinos, candidatos cirurgia de redesignao sexual e que foram submetidos avaliao psicolgica para a comprovao de seu estado disfrico. Para que haja uma melhor compreenso, incursionaremos pela trajetria histrica, passando pelas mais variadas fontes que retratam a inverso de gnero no comportamento, at chegarmos compreenso e aos significados que foram atribudos pelos transexuais, que vivenciaram esse fenmeno, e cujos discursos foram submetidos anlise da reduo fenomenolgica, ancorada s idias do filsofo do dilogo, Martim Buber. O que desejamos com o resultado desse livro, contribuir para uma reflexo mais critica acerca da transexualidade, a fim de delinear
novos horizontes e novas pesquisas, visando colaborar com aqueles que atuam neste seguimento e, principalmente, o nosso objetivo de trabalho, que o ser transexual.

 

 

 

 



Escrito por Flor do Asfalto s 11h21 AM
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Ilusionista de gnero, Stacey Whitmire incorpora em shows de Drag Kings o j famoso Johnny Kat, mostrando que a masculinidade introjetada organicamente em sua maneira de se comportar pode ser encarada como uma liberdade intrnseca de gnero, um cruzar fronteiras, um esteretipo que transgride regras e, sobretudo, uma arte revelada por sua excepcional e inteligente performance. Longe de imitar o oposto, ela apenas porta-voz da liberdade de auto-expresso e derruba com tranqilidade esteretipos de gnero.

Por Yskara

 



Escrito por Flor do Asfalto s 09h53 PM
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continuao

Flor do Asfalto- - Oi, Tudo bem? Gostaria de saber tudo sobre a sua vida [risos]: onde nasceu, que tipo de criana foi, se gostava ou no de estudar e, principalmente, como foi a descoberta de sua orientao sexual.

Stacey - Em primeiro lugar quero lhe dizer que um prazer conceder essa entrevista. Bem, eu nasci em Santa Mnica, Califrnia. Fui uma criana muito tmida. Em reunies sociais de crianas e adultos, eu preferia ficar, freqentemente, entre as pessoas mais velhas, as adultas. Era como se eu quisesse provar para mim mesma que havia em mim um diferencial. Por outro lado, eu mesma me sentia mais adulta do que as demais crianas. Diante de meus pais e meus amigos e amigas mais ntimos eu gostava de me exibir sapateando e, constantemente, vestia-me com uma toga para interpretar pequenos textos teatrais. Em alguns momentos de minha vida eu freqentei a escola com muita satisfao. Gostava de estudar e, por isso, estava sempre entre os melhores da classe. Eu tinha muitos amigos na escola elementar da Califrnia. Um belo dia a minha famlia resolveu mudar-se para o Texas, e por l ficamos durante 5 anos. Foi quando passei por algumas dificuldades, pois me sentia uma adolescente razovel e tipicamente traumatizada. Eu era desajeitada, e fui descobrindo a minha sexualidade em meio s observaes de meus companheiros e companheiras da escola. Na verdade eu no era muito popular, e muitas garotas eram sarcsticas porque eu permanecia literalmente dentro do armrio. Entretanto, eu era insensvel em relao minha diferena, minha esquisitice. Eu me controlava para no perder a maioria de meus amigos e amigas. Eu estava na 6 srie quando, infelizmente, uma garota muito popular decidiu que no gostava de mim e passou a me perseguida irremediavelmente. Foi quando, para minha sorte, minha famlia resolveu voltar para a Califrnia onde passei a freqentar a escola secundria. Passei, ento, a me sentir mais confortvel, socialmente falando. Eu entrei na Escola Secundria de Santa Mnica, cujo campus era mais abrangente. Eu me graduei juntamente com 700 alunos e, com certeza, devido a to grande nmero de estudantes em uma s turma, tudo era mais fcil. Eram mais tolerantes, e eu pude me adaptar, principalmente porque eu era, nesta ocasio, mais consciente e sabia como me controlar para no me aborrecer. Sair da Califrnia para freqentar a universidade de uma cidade pequena foi a melhor coisa que poderia acontecer comigo. Na universidade eu passei a me sentir livre para ser eu mesma e comecei a me relacionar muito bem com os meus professores. Nesta poca fiz muitos amigos e amigas e acabei por me envolver sentimentalmente com um estudante de arte.

Minha orientao sexual ficou clara depois que terminei o curso universitrio. No decorrer do curso, alis, fui levada a agrupar e conduzir um grupo GLB. Nesta poca ainda no se comentava muito sobre os transgneros e, por outro lado, eu estava muito envolvida com o meu namorado. Feliz ou infelizmente eu acabei por tra-lo com uma garota, nossa amiga. Contudo, s abracei definitivamente a minha sexualidade quando fui morar em Washington. Deixei de fazer um trabalho que no gostava e fui trabalhar no Lambda Rising, uma livraria para o segmento GLB. Trabalhando em um ambiente como aquele foi fcil para eu encontrar a minha identidade sexual. Foi um momento importante de minha vida, o momento do meu sair do armrio. Eu me senti livre para abraar a minha sexualidade, explorar a minha esquisitice, e estudar a respeito. Foi um excelente local para eu me descobrir e onde conheci uma lsbica fantstica, com a qual mantive um relacionamento de quatro anos.

 

Flor do Asfalto - Voc, neste momento a Stacey ou o Johnny? Quem a Stacey? Quem o Johnny?

Stacey Eu sou a Stacey, embora alguns amigos, que costumam assistir aos meus shows, onde apareo como drag king, prefiram me chamar de Johnny.

Eu sou Stacey. Eu sou um ator. Alis, eu me permito a possibilidade de ser quem eu quiser [risos]. Johnny Kat vive dentro da Stacey, um personagem que eu criei para reconciliar-me com o meu pai, com quem tive um relacionamento tumultuado, por muitos anos, em decorrncia de minha sexualidade. Johnny Kat um tpico sulista. Ele interioriza e transgride o esteretipo do homem branco do sul. Ele uma amalgama de algum que viveu no Texas por cinco anos e que tem uma famlia sulista da Gergia. O meu pai, por exemplo, no viveu por muito tempo no Sul, mas conservou um jeito calmo de ser e as caractersticas de um batista do sul das dcadas de 50 e 60. Johnny Kat muito mais do que uma pessoa singular. Ele muito amigvel, um sulista charmoso que ama mulheres, mas no deixa, algumas vezes, de voltar os olhos para jovens e belos homens. Ele aspira a masculinidade ideal, ser um campeo, o protetor, um homem forte, esperto, mas ele falha, miseravelmente. Ele no consegue manter um trabalho por muito tempo, ele muito magro, tem medo de lutar e de sofrer.  Ele cria facilidades para situaes difceis. Compor no a sua especialidade.

 

Continua

 

 

 



Escrito por Flor do Asfalto s 09h44 PM
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Continuao

Flor do Asfalto - A masculinidade do Johnny est inserida em sua vida? Voc 24 horas por dia um rapaz? H um homem vivendo dentro de voc o tempo todo?

Stacey - Eu sou um ser humano muito andrgino, especialmente a partir do momento que descobri Johnny Kat, quando passei a cultivar a minha masculinidade, naquele estgio e momento de minha vida. Eu deixei minha masculinidade aflorar, passei a usar roupas mais folgadas e masculinas, acertei a minha postura e maneira de ser. Eu acredito que todos ns possumos caractersticas femininas e masculinas que so enfatizadas de acordo com o nosso nvel cultural e social, nossa maneira de ser e com o que importante para ns. Naturalmente algumas pessoas nascem no corpo errado. Eu me sinto uma pessoa afortunada, pois meu corpo est absolutamente ajustado minha identidade sexual e eu ainda o posso usar para fazer vrios tipos de performances, desde um magrrimo e masculino Johnny Kat at uma idosa vov. Tenho explorado, por outro lado, a minha feminilidade, e posso me considerar uma mulher.

 

Flor do Asfalto Voc uma mulher que interpreta homens estranhamente femininos. Isso deve causar uma certa confuso. Podemos brincar com a sensualidade normalmente padronizada pela sociedade?

Stacey Eu posso ser uma criatura refinada mudando certos gestos ou me permitindo cair nas profundezas da m interpretao desses gestos. Deste modo, muitas pessoas que desejam acertar esse lado mais masculino trabalham a sua postura, escolhem com cuidado suas vestimentas, as atitudes que devero nortear o seu comportamento e, principalmente, o tom de voz. Um lapso, com certeza, poder sugerir um desempenho ou esforo pouco louvvel.

 

Flor do Asfalto Acho que voc deve exercer atrao no apenas sobre as mulheres, mas sobre gays tambm. Estou certa?

Stacey Sim, eu atraio gays e lsbicas quando represento uma Drag King. H algo nas Drags Kings que permite que as pessoas sintam um certo conforto para demonstrar a sua sexualidade. Sinto uma grande satisfao por poder proporcionar tal conforto, principalmente quando a minha performance consegue tornar-se um elemento catalisador para as pessoas que sentem dificuldade em estabelecer no apenas a sua identidade sexual como, tambm, a sua orientao sexual. Eu desejo que todas as pessoas admitam com tranqilidade quais so as suas reais fantasias, seus desejos erticos e suas paixes.

 

Flor do Asfalto Fora dos shows, no dia-a-dia, voc se veste como um garoto? Como voc se veste, por exemplo, para ir a uma festinha em casa de amigos?

Stacey Atualmente estou usando roupas mais femininas. Eu gosto muito de usar jeans e camisetas.Gosto que minhas roupas sejam coloridas. Cores em profuso me do sorte. Adoro roupas vermelhas. Meus cabelos, que no momento esto cortados a la duende, representam a grande mudana ocorrida em minha aparncia. H um ano atrs eu era uma pessoa absolutamente andrgina e usava os cabelos curtssimos. Eu continuo a surpreender os meus amigos [risos].

 

Flor do Asfalto Alm de interpretar, voc tambm escreve, no? Sobre o que prefere escrever?

Stacey Eu trabalho com um freelance e um reprter especializado em arte. Ocasionalmente eu escrevo pequenos textos, mas escrever no a minha prioridade no momento.

 

Continua



Escrito por Flor do Asfalto s 09h38 PM
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Continuao

Flor do Asfalto Voc se inspira em algum para atuar? Ouvi dizer que o seu ator preferido o Paul Newman. Verdade?

Stacey Paul Newman o ator preferido de Johnny Kat, principalmente porque ele gosta do filme Days of Thunder. Johnny Kat no muito culto [risos].

Eu me inspiro em muitas pessoas ou lugares. Nova York, por exemplo, um lugar que me inspira viver. Eu amo Alison Janney, Lily Yaylor, Meryl Streep, Sigourney Weaver e  Charlize Theron, que teve uma performance brilhante em O Monstro. H muitos atores e atrizes talentosos que trabalham em filmes e na televiso. Eu amo o cast  de The West Wing. H, com certeza, muitos outros a mencionar, mas no posso deixar de citar alguns artistas fantsticos como Tim Miller, Ellen DeGeneres e Murray Hill que em muito tm colaborado para aumentar a visibilidade e o espao dos artistas, digamos, mais ousados [risos].

 

Flor do Asfalto Segue algum estilo de vida? Qual?

Stacey De certa forma eu vivo a vida de ator. Trabalho muito e procuro viver uma vida feliz. Dou muito valor s amizades e comunidade onde vivo

 

Flor do Asfalto Tem fantasias? Quais?

Stacey evidente que sim. Fantasio que o George Bush no o nosso presidente. Que os cidados americanos valorizam devidamente a artes e que possam um dia reciclar mais, produzir menos entulhos sociais e, sobretudo, que haja esperana para que alcancem os ideais politicamente corretos.

 

Flor do Asfalto Sua famlia aprova a sua forma de ser?

Stacey Durante algum tempo minha famlia resistiu. No me aceitava assim como sou. Alis, eu imagino que eles nunca aceitaram totalmente a minha sexualidade. H alguns anos atrs eu lhes disse que, se eles queriam ter um bom relacionamento comigo, teriam que passar por cima disso. Desde ento o nosso relacionamento foi mudando aos poucos. Agora so mais abertos em relao ao que eles chamam de minha estranha maneira de ser, e no questionam mais sobre as pessoas com as quais me relaciono. Raramente me visitam e nunca perguntam sobre a minha vida. Acredito que ainda continuem rgidos em relao minha identidade sexual, contudo apreciam o fato de eu ser uma pessoa criativa, uma artista.

 

 Continua



Escrito por Flor do Asfalto s 09h34 PM
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Continuao

 

 

Flor do Asfalto Voc pode contar como esse lance de usar barba? Voc a coloca sempre ou s para fazer o show?

Stacey A barba de Johnny Kat muito excitante. Gosto de us-la. Ela feita de pelos de carneiro e eu uso uma resina apropriada para col-la em meu rosto. Eu deixo Johnny usar a barba [risos].

 

Flor do Asfalto O amor... Como o amor para voc? Est amando? Vive com algum?

Stacey Para mim o amor existe entre duas pessoas quando uma desfruta intensamente a companhia da outra, quando se protegem mutuamente e, sobretudo, quando sentem que o estar juntas o que h de melhor nesta vida. Atualmente minha amante Butch McCloud, uma pea que est sendo encenada aqui em Nova York e na qual fao um papel bastante relevante. Se voc quiser maiores informaes entre no site www.butchmccloud.com. Quanto a viver com algum, posso lhe garantir que estou, atualmente, s. Mas confesso que de vez em quando me envolvo com  lsbicas e algumas trans.

 

Flor do Asfalto Voc tem um grupo ou trabalha s?

Stacey Eu prefiro trabalhar s ou em dupla com outra Drag King. Johnny Kat, geralmente, tem muito a dizer, portanto ele no gosta de dividir o seu brilho [risos]. Por dois anos eu fiz parte do grupo DC Kings of Washington e tive o privilgio de trabalhar em muitos shows. No ano passado comecei a trabalhar com Butch McCloud. Um dos meus sonhos era realizar um trabalho desse tipo. A experincia de trabalhar com pessoas to talentosas deixou-me muito feliz e recompensada

 

Flor do Asfalto Sei que no gosta de dizer quanto pesa. Mas pode dizer qual a sua altura?

Stacey -. Confesso que me sinto pouco a vontade para falar sobre a minha magreza. Entretanto sou feliz, visto que possuo uma excelente sade. Tenho 1,77m e peso 57kg.

 

Continua 



Escrito por Flor do Asfalto s 09h18 PM
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 Continuao

 

Flor do Asfalto Quem d mais em cima de voc?  Lsbicas ou mulheres heterossexuais?

Stacey Tanto Johnny Kat como eu somos mais assediados, por lsbicas.

 

Flor do Asfalto A Mildred Drd esteve no Brasil durante o lanamento do filme Vnus Boyz. Foi um sucesso. J pensou em se apresentar no Brasil, tambm?

Stacey Dred uma criatura muito talentosa. Fico feliz por saber que ela est realizando os seus sonhos.Tenho viajado muito apenas nos Estados Unidos. Voc acredita que no tenho passaporte? Preciso providenciar um para visitar e fazer shows no Brasil [risos].

 

Flor do Asfalto Que conselho voc daria para as Drag Kings que esto comeando?

Stacey Eu diria a elas para no terem receio. Serem elas mesmas. Proporcionarem a si mesmas esse presente, afinal de contas, transformar-se em uma Drag King algo muito fascinante. Quando nos transformamos em uma Drag sentimos mais coragem, sentimos que somos mais atuantes. Eu freqentei o Yale Summer Drama Program e acabei por me conscientizar de que nasci para representar. Agora estou vivendo na cidade de Nova York e tenho atuado em muitas produes teatrais. Nada aconteceria se eu no estivesse to feliz, confiante e desejando provar quem sou exatamente.

Se algum est tentando ser uma Drag King a primeira coisa a fazer conseguir estabelecer a imagem do personagem. preciso cortar os cabelos de maneira mais masculina, olhar-se no espelho e ver exatamente qual papel sexual ir representar para poder comportar-se devidamente. A imagem precisa estar ali, no espelho. S assim poder sentir-se livre para explor-la e poder transformar o trabalho num saudvel divertimento. Sendo uma Drag a oportunidade de entender a prpria diferena nica, fantstica e extraordinria.

 

Flor do Asfalto Gostaria de mandar uma mensagem para o universo GLBT do Brasil?

Stacey Hello! Eu adoraria visitar o Brasil, principalmente para ver de perto a diversidade de segmento GLBT. At qualquer dia!



Escrito por Flor do Asfalto s 09h15 PM
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!!! TRANSGNEROS !!!
  Ateno!
 
Voc pode ter um filho transgnero e no sabe, saiba como lidar com essa criana!
 
 
Danielle trans

Veja nesse videoclip - SAINDO DAS SOMBRAS
 
 
Crianas expressam variao de gnero a partir dos 2 anos.
Pode ocorrer 1 em cada 500 nascimentos!
 


Escrito por Flor do Asfalto s 05h55 PM
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Brbara Graner, mulher transexual, feminista, educadora, integrante do Coletivo Nacional de Transexuais, Titular do Comit Tcnico em Sade GLBT do Ministrio da Sade e autora do instigante texto abaixo.

MULHER TRANSEXUAL

Quem ela, a quem muitos consideram ele? Ser que isso a ofende, ou no? Muitos acham que apenas um apndice bizarro das patologias... Muitos acham que um desequilbrio de nossa perfeita psique, e muitos acham que ela no percebe quem realmente , acorrentada ao conceito dogmtico de que ser quem somos depende unilateralmente da genitlia que possumos e de duas letras que compem nosso cromossomo. Quem ela, que sem ser realmente conhecida, julgada culpado e condenado a subviver nos quatro cantos escuros do nosso perfeito mundo, pagando o injusto preo que lhe cobrado como conseqncia natural de sua opo?

Que opo tem ela (que ele), alm de ser quem ?

Que opo tem um ser humano, alm de ser quem ?

Antes de lhe perguntar o seu nome (aquele com o qual ela realmente se identifique, goste e, acima de tudo, no se sinta constrangida), muitos j a definem como aquele que doente, veio de famlia sem valores e s sabe fazer coisas equivocadas, alm de ofender a moral e os bons costumes. Quem ela (que ele) se nem sabemos e nem queremos saber quem ?

Ela (por ser ele) no sonha? No tem talentos? No tem potencialidades? S sabe ser desequilibrado, coitadinho, deprimido, iludido? Ela (por ser ele) no sabe, ou jamais ter a capacidade de saber viver e conviver com os demais? Ela (por ser ele) no humana o bastante para ir alm do que lhe imposto? Ela (por ser ele) no pode libertar-se dos limites do esteretipo do homem para ir alm do esteretipo da mulher? Ela (por ser ele) no pode ser mulher em identidade, por lhe ser intrnseco, e no ser homem em formato, por lhe ser obrigao? Se ela se sente ela, porque tem que ser ele? Ela ele?

Se no compreendemos porque ela (que ele) ela, no poderamos simplesmente lhe dar o direito voz para argumentar porque ela (que ele) se sente ela? to difcil assim exercer a arte de ouvir? Ouvir de verdade? Pelo menos tentar compreender, de verdade, a verdade dela? Ah, sim... A verdade no pertence a todos! Nem direito de todos. Talvez no seja mesmo direito dela (que ele) ser ela; j que muitos, mesmo sem conseguir explicar direito o porqu, se sentem to aviltados, chocados, perturbados, confusos, ofendidos e condescendentes com o simples fato dela (que ele) existir e ser ela. Mas, se muitos no conseguem explicar direito o porqu de se sentirem to incomodados com ela (que ele) ser ela, por que ento, de fato, ela (que ele) incomoda tanto? Ser ela, mesmo sendo ele, afeta tanto assim a vida de tantos?Afeta mesmo?



Escrito por Flor do Asfalto s 06h57 PM
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Continuao

Se ela aceitasse ser ele, o nosso pas seria melhor? Se ela aceitasse ser ele, as crianas desamparadas teriam comida, roupa e futuro? Se ela aceitasse ser ele, os muitos polticos corruptos deixariam de ser corruptos? Se ela aceitasse ser ele, o nosso frgil planeta estaria a salvo dos interesses destrutivos de muitas corporaes, para as quais a nica coisa de valor so os nmeros sob a forma de posse? Se ela aceitasse ser ele no haveria mais carncia de gua potvel para os povos sedentos que nem conhecemos? Se ela aceitasse ser ele o mundo no teria mais problemas?

 Se ela aceitasse ser ele o mundo seria melhor?

Se ela aceitasse ser ele voc no teria mais problemas? Se ela aceitasse ser ele, a vida de voc seria melhor? Se ela aceitasse ser ele voc seria melhor? Ou voc no dos muitos que se incomodam, sem saber o porqu, com o fato dela (T bom, t bom... Desculpem-me os donos da verdade: ELE) ser ELA?

Ah, se voc realmente no destes muitos, ento esquea este texto... Desculpe-me pelo tempo que tomei de voc. Afinal, este texto no to importante assim. Na verdade, que importncia esse texto tem, afinal? Voc poderia me responder? Por favor?

 

 

 

 



Escrito por Flor do Asfalto s 06h57 PM
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Intersexualidade

Por Mauro Cabral, Argentina
Traduo de Luiz Ramires (grupo CORSA, Brasil)



Ao nascer, toda pessoa torna-se sujeita a regras estabelecidas pelos critrios de gnero: como seres masculinos ou femininos. Esta classificao essencialmente fixada pelos genitais que, primeira vista, determinam o indiscutvel e natural "pertencimento" a um ou outro gnero. Mas em muitos casos (de acordo com algumas estatsticas, 1:2000*), os genitais no informam assim to claramente a verdade sobre o sexo e, desta forma, o "pertencimento" deve ser constatado e evidenciado atravs de tratamentos hormonais e cirurgias "normalizadoras". A intersexualidade abrange no apenas estes casos de "ambigidade" genital, mas tambm outros casos que, por uma diversidade de razes, criam uma diferena intolervel (para a medicina, para a sociedade) na forma dos genitais: pnis curto demais, clitris excessivamente longo, ausncia de vagina, etc.
A presente vivncia de intersexualidade a de que h uma preferncia em se enfatizar as necessidades da sociedade em detrimento das necessidades dos intersexos. por isso que meninos e meninas intersexos so "normalizados" no mundo inteiro no momento em que nascem ou durante sua infncia e adolescncia, de modo que eles se conformaro aos esteretipos de gnero e genitalidade. A razo subjacente para as intervenes intersexuais no fundamentada em termos mdicos; ao invs disso, baseia-se em critrios normativos
acerca do que homens e mulheres devem ser, critrios que carregam fortes preconceitos homofbicos. Acredita-se que um homem sem um pnis "correto" no possa participar e ser feliz como homem na sociedade (e por esse motivo que muitos meninos portadores de micro pnis ou desprovidos de pnis so transformados em meninas atravs de cirurgia e tratamentos cirrgicos) ou cr-se que mulheres com clitris longo ou sem vagina correm um srio risco de se tornarem lsbicas, razo pela qual devem ser prontamente operadas. O tratamento de meninos e meninas intersexos geralmente ocultado dos prprios pacientes durante a maior parte de suas vidas, impedindo-os no apenas de exercerem o direito de decidir sobre seus prprios corpos mas tambm barrando o  acesso sua prpria histria, isto , sua identidade.
As cirurgias intersexuais "normalizadoras" no produzem homens e mulheres "normais", mas sim pessoas que so muitas vezes traumatizadas por experincias cirrgicas perniciosas e desnecessrias do ponto de vista mdico, a quem lhes foi ensinado que seu corpo algo do qual devem se envergonhar; as cirurgias atentam contra o prazer sexual (so freqentemente causa da perda de sensibilidade) e mesmo contra a possibilidade de se tentar cirurgias posteriores. Por isso so consideradas pelos prprios intersexos e por seus aliados como verdadeiras mutilaes genitais s quais se deve dar um basta.
O ativismo intersexual no apia a educao de meninos e meninas fora das fronteiras de gnero, mas ao contrrio apia o reconhecimento da diversidade corporal e a necessidade de se respeitar tal diversidade at que cada indivduo tenha condies de tomar suas prprias decises num contexto que privilegie sua autonomia, o acesso informao, o apoio mtuo dos pares e o reconhecimento da variedade da experincia humana.

 

* Segundo A biloga americana Joan Rouhgarden,  os dados estatsticos so, na realidade, 1:500 de crianas intersexos que nascem no mundo, portanto bem mais do que nos oficialmente informado.

 



Escrito por Flor do Asfalto s 05h48 PM
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