Entrevista com a artista trans Geia Borghi
Destaque desde o programa do Bolinha, nos anos 80, Géia fala sobre a carreira
por Neto Lucon
foto: Neto Lucon



Nos anos 80 o trabalho era definido como artista transformista. Hoje o termo caiu em desuso e ganhou novas nomenclaturas. Até ela se confunde diante de tantas. Porém, independente dos rótulos pós-modernos e americanizados, a campineira Geia Borghi firma uma certeza em suas apresentações: é uma estrela camaleônica. Sempre foi. Sempre será.

A transformação da artista surpreende a todos. Com muita força, delicadeza e figurinos originais, transmuta de uma guerreira do Halloween a uma apaixonada Evita Perón dançante. Do glamour e charme de Liza Minelli ao som pop de Cyndi Lauper. Até Carmem Miranda surge com sua brasilidade, depois de uma passista cantora de “Brasil”. E Géia mostra a cara, o rosto, a dança, sempre unidos a uma dublagem perfeita.

Com um pouco mais de 40 anos, a artista está preste a completar 28 de carreira. E afirma em entrevista que não é daquelas saudosistas que abrem o armário e vivem do passado. Géia se transforma a cada dia e é uma das poucas veteranas que ainda continua na ativa. Confira declarações de uma das transformistas que faz sucesso desde o extingo Clube do Bolinha, da Bandeirantes.

Géia, são quase 30 anos de carreira. O que passa na sua cabeça ao pensar nisso?
Definitivamente não sou aquelas pessoas que abrem o guarda-roupa e diz “ai que saudade daquele tempo”. Não penso em nada, nem tenho tempo para isso, procuro aproveitar as experiências novas que surgem todos os dias. Às vezes aparece alguém e relembra de algum momento, mas hoje em dia só procuro abrir o guarda-roupa para resgatar alguns números.

E o que relembram de mais curioso?  Uma vez eu estava fazendo um show com a Morsa e estávamos vestidas de baiana. Eu peguei uma galinha, de verdade, e comecei a fazer uma performance. O problema é que tinha um ventilador bem próximo e eu, sem querer, esbarrei a galinha lá. Foi pena para todo o lado (risos).

Mudou muito a noite gay dos anos 80 para as atuais?
Muito, principalmente o público. Ele não acompanha o ritmo da performance. Afinal toda performance tem começo, meio e fim. E o público atual não entende que aqueles 4 minutos foram realmente batalhados, que existe todo um trabalho por detrás. Os shows, hoje em dia, é mais visto como uma diversão. Também noto uma tendência ao stand-up, que é válido, pois é necessário ter talento de ator.

Já recebei várias desabafos… É verdade que as artistas veteranas são mais desvalorizadas na noite?
Sim. Embora sejamos respeitadas como ícones, somos rotuladas como embalagens velhas. Esses dias disseram para mim: “Géia, você faz muita música velha”. Por outro lado, percebo que muita gente senta falta do glamour, de um trabalho sério como o meu. Existem clássicos que nunca saem de moda. Daqui a 10 anos, por exemplo, a Madonna vai continuar atual. É a mesma coisa comigo.

E as portas das casas noturnas estão sempre abertas?
Posso dizer que a Subway e a Double Face são as únicas casas de Campinas que nos respeitam e nos acolhem. As mais novas nem querem conhecer, nem procuram saber dessa história.

Quais artistas transformistas ou drag você destaca no cenário?Bom, eu aprendi muito de humor com a Morsa (ela chegou a participar com Géia do programa do Bolinha), com a Gracy Black. Lembro que a Gracy entrava toda bonita e tombava com a música (risos). Ah! Também gosto muito a Monique Demon. Sou fã mesmo. Ela preenche o palco, sabe dominar. É uma artista que te pega pelos olhos e não solta mais.

A Morsa chegou a se apresentar com você no programa do Bolinha…
A promoter do Clube do Bolinha procurava talentos aqui no interior para levar ao programa. Como eu e a Morsa éramos ícones de Campinas, fomos chamadas para nos apresentar. Fomos as primeiras e foi ótimo, pois vimos como é feito televisão. Para você ter uma idéia, durante a gravação, as Boletes dançavam sem música, não existia platéia, os jurados não estavam, nem aplausos. Mas quando a gente ia assistir, a edição se encarregava de juntar tudo isso.

O que você diria para aqueles que desejam iniciar a carreira?
Não procurar imitar um artista só porque ele está na moda, nem reproduzir modismos. Pois isso todo mundo faz. Eu nunca gostei de fórmulas prontas. É claro que procurava inspiração em alguns ícones, mas sempre busquei mesclar principalmente com a minha originalidade. Tenho uma performance da Evita com uma roupagem totalmente nova, moderna e dançante. Você precisa ver.



Escrito por Flor do Asfalto s 10h04 PM
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Diversos Olhares:
Evento sobre Visibilidade Trans trouxe debate político, direitos e artes
Por Neto Lucon



O Dia da visibilidade Trans, comemorado no dia 29 de janeiro, recebeu uma importante manifestação na tarde da última sexta-feira, 4. Realizada pela Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual do Estado de São Paulo, veiculada à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, o evento chamado “Versos Diversos, - Diferentes Olhares para a Diversidade Sexual”, trouxe debate sobre direitos trans, preconceito, nome social, presenças de artistas, militantes, personalidades, além de uma apresentação de teatro e músicas cantadas por Renata Perón.

O debate foi mediado pela jornalista Soninha Francine, e contou com argumentos e reflexões de Reynaldo Mapelli Júnior – Promotor de Justiça, coordenador da Área de Saúde Pública do Ministério Público, do jornalista e escritor João Silvério Trevisan , do psicólogo Klecius Borges e Brunna Valin – coordenadora do Fórum Paulista de Travestis e Transexuais. A cartunista Laerte, que recentemente se assumiu crossdresser, apareceu prontamente vestido com roupas e acessórios femininos, e deu início ao debate ao ler um texto de autoria de terceiro que refletia uma visão preconceituosa sobre a travestilidade.


DIREITO DE SER ANORMAL

Sincero e se dizendo um pouco pessimista (ou realista), o escritor João Silvério Trevisan declarou que não houve grandes avanços para a comunidade LGBT nos últimos anos, uma vez que na década de 70 (período em que fundou o primeiro jornal LGBT do Brasil, o Lampião) “não existiam skinheads que agrediam homossexuais na rua”. Ele também criticou a tendência de querer normalizar tudo. “Quero ter o direito de ser anormal”, soltou o escritor, sendo bastante aplaudido.

Algumas travestis, tais como a política Márcia Lima, ponderaram ao dizer que a violência contra a diversidade sexual sempre existiu, “só não existia um nome para os agressores.” “Até porque, muitas vezes a violência não está na rua, está dentro de casa. Eu mesma fui muito agredida pelo meu pai”, contou. 

LEI QUE CRIMINALIZA TRANSFOBIA

Os convidados também debateram sobre o Decreto Estadual n° 55.588/2010 que visa reconhecer o nome social de uma travesti ou transexual, evitando constrangimentos em lugares públicos e o reconhecimento da figura feminina em que ela quer ser tratada. 

Na platéia, a criadora e ex-proprietária da GMagazine, Ana Fadigas declarou que é necessário que a lei que criminaliza a homofobia (e, claro, a transfobia) seja aprovada logo para coibir manifestações de preconceito. “Assim como os negros podem recorrer legalmente de qualquer preconceito que sofrem, os gays, lésbicas, travestis e transexuais também precisam desse direito”, cobrou.

A travesti Divina Aloma, uma das pioneiras a estrelar nos palcos do Rio de Janeiro e em São Paulo, falou rapidamente sobre sua trajetória e mostrou uma edição em que foi matéria da revista Cruzeiro, nos anos 70. Embora a censura federal tenha sido um marco considerado negativo na época, ela declarou que pelo menos as artistas eram mais valorizadas que hoje em dia. “Nós tínhamos carteira assinada, que ensaiar de verdade, mostrar qual era o espetáculo antes de apresentar à noite. Sou artista, sempre fui.”  Com aparência jovem, Aloma causou surpresa e aplausos ao revelar que estava com mais de 60 anos.

TRAVESTI É ARTE
Como a travestilidade também está ligada à arte, duas manifestações artísticas marcaram a tarde em comemoração à visibilidade trans. As atrizes Rafaely Drumond e Alcione Carvalho, do Instituto Omindaré, encenaram a peça “Nada Fica”, criada a partir do texto de Fernando Pessoa e dirigida por Regina Papini. Mascaradas e com vestimentas de ambos os sexos, mostraram a flexibilidade da construção de gêneros e identidades, em um delicado texto. A cantora Renata Perón fez uma participação especial.

 

A parte musical, que esteve presente em vários momentos do encontro, também ficou por conta de Renata, travesti e drag queen que encanta ao cantar regravações de Noel Rosa com sua própria voz. Cheia de ginga e carisma, Renata trouxe sucessos do seu mais novo CD, Renata Perón canta Noel Rosa, como Fita Amarela e Com que Roupa Eu Vou. No final do encontro, ela chamou a platéia para dançar e cantar junto com ela.


CLAUDIA WONDER

Militante e artista multimídia, Claudia Wonder, que faleceu no final de 2010 e é a fundadora da Ong Flor do Asfalto, foi lembrada por João Marote, comentada por Dimitri Sales (Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual), e aplaudida pelos presentes por sua trajetória de luta e vitórias.



Escrito por Flor do Asfalto s 08h04 PM
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Tula: Uma transexual nos filmes do 007
por Neto Lucon



Nos filmes do agente secreto James Bond, milhares de mulheres se encantam pelo 007 gostosão. Mas você sabia que uma trans esteve no meio da lista de beldades em 1981?

Trata-se de Tula, a modelo inglesa e transexual Caroline Cossey, que na época tinha 27 anos e participou do For your eyes only (Somente para seus Olhos).

No longa, assim como a maioria das bond-girls, a atriz também desfilou o famoso biquíni decotado (tradição que estende até os dias atuais com a atriz Halle Barry), mas não se envolveu com o agente vivido por Roger Moore.

Na época, ninguém sabia que Tula, na verdade, era uma transexual (operada desde dezembro de 1974 pelo hospital Charing Cross, em Londres). Tanto que a beldade só foi “descoberta” pelo jornal “News of the Word” após ter posado para a revista Playboy.

Aliás, muito antes de Roberta Close estar na revista brasileira (sem ser capa, infelizmente!), Tula entrou para a história ao ser a primeira trans a posar nua para a publicação no mundo.

Vítima da síndrome de Klinefelter
(quando nascem com mais de um cromossomo X), a inglesa começou sua transição aos 17 anos e logo deu início na carreira de stripper e modelo em Paris, Londres e Roma. Com tamanha beleza, não foi difícil ser convidada para ser uma das mulheres de James Bond.

Conseguiu mudar o nome masculino e se casar. Atualmente, com 56 anos, Tula mora nos Estados Unidos e vive dos direitos autorais de suas duas autobiografias: I Am A Woman (1982) e My story, the asthonishing autobiography of the boy who was born to be a woman (1991).



Escrito por Flor do Asfalto s 03h19 PM
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Escrito por Flor do Asfalto s 11h45 AM
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