Menino ou Menina? 

 

 

 

Uma das quatro capas da edição Inverno 2012 da New York Magazine, o modelo Andrej Pejic é a sensação andrógena do momento.

Agenciado no Brasil pela Ten Management, ele desfilou no SPFW para Alexandre Herchcovitch Masculino, Maria Bonita, Andre Lima, Lino Villaventura (fechou o desfile como Deusa Grega) e O Boticário e no Fashion Rio, para a Auslander.

Lá fora, participou das campanhas de Jean Paul Gaultier, Marc by Marc Jacobs, desfilou para Yoji Yamammoto, Custo Barcelona, John Galliano, Paul Smith e Raf Simons.

Andrej foi descoberto um pouco antes de completar 17 anos, enquanto trabalhava no McDonald’s, de Melbourne, Austrália. Seu sucesso é tamanho, que em abril passado ocupou a posição nº 11 no Top 50 do Models.com e a nº 98 da revista FHM que nomeou as 100 mulheres mais sexy do mundo de 2011 – causando muita polêmica.

Em maio de 2011, foi capa da revista nova-iorquina Dossier Journal – no qual surgiu com seus longos cachos loiros tirando a camisa e provocou um fusuê, que a revista foi tirada de circulação dos EUA, pois foi considerada ofensiva por estar de “peito nu”… Sendo que ele não tem peitos…

Anyway…  Atualmente Andrej Pejic mora entre Nova York e Paris e é considerado o modelo do momento como It Girl/It Boy.

Maiores informações:

 http://mondomoda.wordpress.com/2011/08/30/andrej-pejic-girl-or-boy/



Escrito por Flor do Asfalto s 04h36 PM
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Unidade na ação para diminuir a homofobia

Toni Reis*

 

Algumas pessoas se dizem descontentes com o trabalho do movimento LGBT. Porém, geralmente essas pessoas que ficam reclamando fazem pouco ou nada para melhorar a situação. Ou são autonomistas que não têm base social, ou não participam de reuniões periódicas de base. Essas pessoas geralmente não conhecem a realidade em que milhões de LGBT estão inseridos, algumas nunca atenderam o apelo desesperado de uma vitima da homofobia.

 

É importante lembrar para as pessoas que fazem criticas construtivas, que elas não se encaixam nas observações anteriores.

 

É necessário ter planejamento para atingir nossos sonhos. Você tem planos e idéias para melhorar a situação LGBT no Brasil?

 

Você tem um site que ajuda a construir o movimento?  Ou você só quer detonar o que está sendo feito? Você já escreveu para Bolsonaro, Miriam Rios, Du Loren ou Malafaia protestando, ou fica esperando que os(as) outros(as) façam o que você poderia fazer? Você já protestou contra um vereador da sua cidade, ou um deputado do seu estado? Já parabenizou parlamentares aliados, ou prefere dizer que eles poderiam fazer melhor? Quantas cartas abertas você já escreveu? Quando uma organização LGBT pediu a sua opinião ou colaboração, você contribuiu ou só ficou falando depois como as coisas deveriam ter sido feitas. Quando convidaram para organizar a Parada LGBT em sua cidade, você ajudou ou simplesmente saiu falando que é um carnaval fora de época?

 

Você já aceitou assumir um cargo em uma organização LGBT? Ou recusou alegando falta de tempo e depois saiu criticando com afirmações do tipo: “essa turma quer é ficar sempre nos cargos"? Quando as pessoas estiverem trabalhando com boa vontade e com interesse para que tudo corra bem, há quem afirma que a entidade está dominada por um grupinho. Você já fez isto? Também há quem não lê o que é postado nas listas de e-mail e depois fica reclamando que nunca é informado de nada. Você já fez isto?

 

Quando há divergências com uma pessoa da diretoria ou da entidade, você procura com toda intensidade vingar-se na organização e nas listas de discussão e boicotar seus trabalhos, inclusive colocando as outras entidades congêneres contra?

 

E quando cessarem as publicações, os projetos, as reuniões e todas as demais atividades, enfim, quando nossa entidade morrer, você é daqueles que estufa o peito e afirma com orgulho: ‘’Eu não disse?’’?

 

Às pessoas que ficam reclamando, sugiro a leitura do texto abaixo, baseado em artigo sobre as obras de Erika Andersen e publicado no site Olhar digital;

 

Dica um: Tenha objetivos razoáveis na militância.

O (a) Ativista precisa entender exatamente o que o(a) inspira e qual o trabalho que pode dar mais prazer no futuro para definir um trabalho social e ideal. E precisa ser realista em seus objetivos: se sua ambição é criminalizar a homofobia, você pelo menos tem que falar com os(as) congressistas senadores(as), deputados (as). Com quantos(as) você já conversou sobre o assunto?  Vai depender deles os votos.

 

Pense no trabalho baseado nos conhecimentos que já possui, experiências e interesses, além de, obviamente, descobrir ser tem os recursos necessários para trabalhar na área desejada. Busque apoio nas boates, saunas e sites LGBT. Eles(as) podem ajudar muito.

 

Foque no que você gostaria realmente de fazer e que acha ser possível. Aconselho que o(a) militante escreva suas principais conclusões e, a partir daí, trace um plano de ação para atingir seus objetivos, em determinado tempo. Se seu objetivo vai depender de formar uma ONG ou ganhar muito mais experiência profissional, pense em algo de longo prazo. Já se você quiser fazer um simples avanço em que está sendo feito, junte-se a quem está trabalhando É muito difícil trabalhar em grupo, mas, no final é gratificante. Temos hoje nove redes nacionais LGBT no país e 302 ONG registradas, e 35 fóruns informais, e mais 167 listas LGBT e muitas comunidades no Face book e Orkut e outras redes sociais.

 

Dica dois: Seja honesto sobre os obstáculos

Infelizmente tem homofobia para todo mundo trabalhar.

Depois de ter uma clara ideia de que gostaria de conseguir e quanto tempo vai ser necessário para atingir o trabalho dos sonhos, se prepare para as barreiras que podem surgir no caminho. Eu sugiro que você enxergue os obstáculos na política, nos recursos e nas pessoas.

 

Entre os exemplos de situações que precisam ser analisadas, destaco que o(a) ativista deve enxergar se a cidade o estado em que mora tem espaço para o trabalho que quer fazer, se está disposto a abrir mão de parte do salário atual para entrar em uma nova área; se vai ter dificuldade para aprender novas coisas que serão fundamentais na área que pretende seguir, entre outros. Lutar pelo coletivo, é só receber críticas, geralmente. O que você fizer receberá 97% de criticas e 3% de reconhecimento.

 

Dica três: Organize o plano de ação e vá à luta

Após entender exatamente o que quer fazer e quais os obstáculos vai enfrentar pela frente, o(a) ativista deve detalhar todos os esforços que serão necessários, na ordem correta, para atingir os objetivos.

 

Por exemplo, se você descobre que precisa buscar conhecimentos adicionais para atingir a cidadania dos sonhos, deve traçar um plano de ação específico para isso, em ordem cronológica. Como exemplo: 1) falar com as pessoas no movimento LGBT para entender o que elas pensam que é mais importante em termos de conhecimento e formação; 2) pesquisar os cursos e encontros específicos; 3) definir quais são as opções razoáveis em termos de tempo e dinheiro; 4) determinar a melhor opção.

 

Concluir a decisão de definir os rumos da própria atuação como ativista serve como um estímulo para qualquer militante. “Minha experiência é que muitas coisas boas se seguem a isso: mais energia, aumento da autoconfiança, moral elevada e uma excelente sensação de sucesso”.

 

Estamos firmes na luta pela cidadania plena LGBT.

 

*Toni Reis

Presidente da ABGLT

 



Escrito por Flor do Asfalto s 12h56 PM
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Cirurgia para transformar meninas em meninos

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Por Letícia Sorg da revista Época

Segundo uma reportagem do Hindustan Times, centenas de meninas estão sendo transformadas em meninos em Indore, na região de Madhya Pradesh, na Índia. As crianças, de 1 a 5 anos, seriam submetidas a um tratamento com hormônios e a uma genitoplastia – que, nesse caso, transforma a genitália feminina em masculina.

O tratamento, que é relativamente barato – cerca de US$ 3200 –, tem atraído casais de Mumbai e Délhi que sonham com um filho – mas tiveram uma filha. A cirurgia e os hormônios só poderiam ser usados para corrigir problemas congênitos, em casos de crianças que nasceram com genitália ambígua, por exemplo, mas a fiscalização do país é falha.

Segundo a reportagem, os pais pressionam os médicos a fazer as cirurgias mesmo sabendo que as meninas “convertidas” em meninos serão inférteis. Em nome de escolher o sexo do filho – mesmo depois de seu nascimento –, esse pais abrem mão de ser avós biológicos.

A genitoplastia para atender a esse capricho dos pais não é aprovada, mas também não é proibida. Está numa zona cinza da regulamentação médica do país. Talvez porque, antes de isso acontecer, ninguém fosse capaz de imaginar que a misoginia pudesse chegar a esse ponto.

Os médicos afirmam que só fazem o procedimento quando a genitália externa da criança não bate com os órgãos sexuais internos. Mas há quem veja um abuso por parte dos pais e dos médicos para transformar meninas perfeitamente normais em meninos.

É difícil, daqui do Brasil, avaliar até que ponto isso está realmente acontecendo ou se há exagero na denúncia. Mas, a julgar pelo que se sabe da falta de mulheres na Índia, é bem possível que seja verdade.

Segundo Mara Hvistendahl, correspondente de ciência da revista Science, faltam 160 milhões de mulheres na Ásia. É possível notar o desequilíbrio da proporção entre meninas e meninos nascidos em países tão diversos como Vietnã, Albânia e Azerbaijão.

Mara estudou o assunto e acaba de lançar o livro Unnatural selection: Choosing boys over girls, and the consequences of a world full of men (algo como Seleção não-natural: Escolhendo garotos em vez de garotas, e as consequências de ter um mundo cheio de homens). Nele, ela prevê que, em 2020, haja 15% a 20% mais homens do que mulheres na região noroeste da Índia.

É claro que essa diferença gigantesca não acontece porque os pais procuraram um médico para fazer uma cirurgia de mudança de sexo em suas filhas. Isso deve ser mais exceção do que regra. O método mais procurado para garantir o nascimento de um filho é o aborto seletivo. Ou seja: a mãe se submete a exames (geralmente o ultrassom, que não é invasivo) para saber o sexo do filho o quanto antes e, se é menina, põe um fim à gravidez.

O aborto seletivo não é permitido em várias partes do mundo, mas é autorizado em vários países da Ásia. E o resultado é esse que estamos vendo: nascem muito mais meninos do que meninas.

Mesmo quando não há aborto, as meninas não estão protegidas. Na China, onde vigora a política do filho único, há milhares e milhares de meninas abandonadas em orfanatos.

A preferência pelos meninos é, em grande parte, cultural. Em algumas sociedades, como a chinesa, homens têm o dever de ficar com a família e cuidar dos pais, além de liderar cerimônias importantes, como o funeral.

Diante de notícias como essas ainda nos surpreendemos com aqueles que dizem que o feminismo é anacrônico e o machismo e a misoginia não mais existem.

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Escrito por Flor do Asfalto s 06h46 PM
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Garoto de 8 anos é diagnosticado transexual e fará mudança de sexo

 

Josie Romero (à direita), apesar dos 8 anos de idade já tem muita história para contar. Ela na realidade nasceu menino e se chamava Joey.

Sua família contou sua história como parte de um novo documentário do canal Channel 4. Vanessia, sua mãe, disse que Josie sempre afirmou ser uma menina, embora fosse constantemente corrigida por ela. “Quando ela começou a falar, dizia que era uma menina. Nós costumávamos corrigi-la e dizer: ‘Não, você é um menino’”. Aos cinco anos, ela recusava-se a cortar os cabelos e só usava cores como laranja e rosa.

Quando completou seis anos, Josie, que também tem uma irmã adotiva, foi diagnosticada como transexual e começou a ser tratado como uma menina. Foi então que a família começou a oferecer roupas femininas e enfim observar qual seria sua reação.

Vanessia e seu marido, Joseph, um engenheiro da Força Aérea do Arizona, tomaram a decisão corajosa de contar a história de sua filha para ajudar outros pais de jovens transexuais.

“Ela costumava amarrar meu xale em volta da cintura para fazer saia. Esta era sua brincadeira favorita”, declarou ela aos jornais britânicos Daily Mail e Telegraph.

Segundo seu pai, o conservadorismo dos seus colegas militares não deixava aceitar a condição de sua filha. Entretanto, eles decidiram apostar no bem-estar da criança e resolveram ignorar o preconceito. “Nós percebemos que tínhamos um menino especial. Mas pensamos: ‘Enquanto o nosso filho estiver feliz, tudo bem’”, afirmou Joseph.

Seus pais também comentaram que encontraram na internet grande fonte de informações sobre o assunto. Eles contaram que inicialmente acharam muitos sites falando sobre o assunto, entretanto, destinados para adultos. Logo depois, descobriram que havia outras crianças que, segundo diagnósticos médicos, nasceram com o sexo errado.

No ano passado, Joey teve todos os seus documentos trocados e agora chama-se oficialmente: Josie. Atualmente ela está sendo acompanhada por médicos e psicólogos e deverá ingerir hormônios femininos quando completar 12 anos. Sua mãe também comentou que provavelmente ela deverá ser submetida a uma cirurgia para mudança de sexo, apenas quando for adulta.
http://obabadoecerto.gay1.com.br/2011/07/garoto-de-8-anos-e-diagnosticado.html


Escrito por Flor do Asfalto s 06h36 PM
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Escrito por Flor do Asfalto s 02h39 PM
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Takeo e a obra de Maria Rita de Souza: Nu

As Cores do Arco-Íris

 

Em plena Avenida Paulista, palco da maior Parada Gay da Terra, a diversidade sexual foi magnificamente retratada em telas, estilos e imagens.

A exposição As Cores do Arco-Íris, na Casa das Rosas, foi um marco na pintura voltada para a temática LGBT.

A exposição, fruto de interessante trabalho do curador Takeo, tratou da temática homossexualidade, retratada em telas de diferentes estilos. Algumas mostravam atitudes de afeto entre pessoas do mesmo sexo, sem qualquer conotação inadequada. Ao contrário, politicamente corretas. Para tanto, Takeo explicou aos artistas, em reunião feita antes de definir as obras, que apenas criassem telas que pudessem deixar evidente a irrelevância do preconceito constantemente inerente às manifestações de amor por pessoas do mesmo sexo.

Takeo, como exemplo, e para sensibilizar os pintores e pintoras, usou um fato marcante em sua vida: ser uma pessoa que guarda dentro de um corpo feminino uma alma masculina.

Devido ao sucesso da exposição, Takeo pretende expor as telas em outros locais de São Paulo. Trata-se de objetivar a visibilidade, direitos e respeito voltados para o tema homossexualidade.

 

 

Fragmentos, de Regina Maria da Paixão

 

O Rosto, de Maria Ines de Ângelis

         



Escrito por Flor do Asfalto s 03h57 PM
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Com 22 anos de carreira, Márcia Pantera faz fortes revelações sobre vida e trabalho de drag queen (parte 1)
Em entrevista exclusiva, Marcia Pantera diz que artistas atuais apostam mais em produção que em talento

Por Neto Lucon




O fenômeno drag queen explodiu nos anos 90. Um ano antes, em 89, uma representante da categoria já dava os primeiros passos no palco da Nostro Mondo e adiantava o que seria uma febre no universo LGBT. Márcia Pantera, negra, alta e de corpo atlético, desenhado pelas partidas de vôlei.

Inspirada na moda, performances e dublagens, a drag-felina, hoje com 41 anos, tornou-se musa de Alexandre Herchcovitch, alcançou a passarela ao lado de ícones da moda como Claudia Liz, protagonizou números memoráveis. E mais, garante ter sido a primeira drag queen a bater-cabelo no Brasil.

Neste ano, Marcia comemora mais um ano de carreira, data bastante significativa em um mercado pra lá rotatório e descartável. Em entrevista, revela detalhes de sua carreira e vida pessoal, bem como rivalidade entre artistas, vida amorosa, acidentes de trabalho, drags novatas, problemas com drogas e superação. “Hoje estou muito mais madura, feliz, nas nuvens.”

Masculino e atleta na vida pessoal, quando pensou pela primeira vez em se montar?

Foi quando entrei na Nostro Mondo e vi uma apresentação da Marcinha, uma travesti da Corintho (casa noturna da empresária Elisa Mascaro, conhecida pelos espetáculos bem elaborados). Linda, baixinha, cabelão cumprido até a cintura. Assisti ao espetáculo e me vi nela: Disse: “quero fazer isso!”

 

Em 89 não existiam referências de drags e a Marcinha já era travesti. Em algum momento pensou em ser trans?
Você tem que ter uma estrutura muito boa para ser travesti. Eu não tenho essa estrutura. Prefiro me montar, viver nessa transformação. Aliás, amo a transformação do Marcio para a Márcia. É o que amo fazer.

 

E a primeira vez que se montou profissionalmente?
Também na Nostro, em um concurso de novos talentos. Arrumei tudo e fiz um samba da Simone. Um sambão! Já tinha a Marcinha, que era uma negona, e apareceu eu. Na época, era mais malhada, jogava vôlei, tinha um corpão, e a reação foi maravilhosa. Foi uma delícia sentir a reação das pessoas, aqueles aplausos me pegaram. Falei: gosto disso.

A rivalidade entre drags é muito grande?
Muitas vezes a rivalidade não existe entre os artistas, é o povo que faz. É um que chega e fala “tal pessoa falou isso de você”, outra que chega e fala outra coisa. Mas é verdade que existe muita falsidade, uma querendo ser melhor que a outra, falando mal de outra no camarim. Mas acima de qualquer coisa é preciso ter talento. Não adianta você se cobrir de strass, se cobrir de brilho, investir em uma produção, falar mal da outra, se você não sabe segurar tudo isso no palco. É ter talento, carisma e simplicidade.

 

Em um mercado tão rotativo, qual é o segredo para se manter?
É amar o que se faz. Não faço uma apresentação apenas para mim, para as minhas amigas do camarim, nem para o dono da casa, faço para o público que está na casa. É pensar com carinho no público.

No começo, você usava as roupas do Alexandre Herchovic...
Ainda uso, ele é meu irmão.

 

Como surgiu essa amizade?
No começo as pessoas achavam que a gente era namorado, caso. Mas somos amigos, irmãos, nunca tivemos nada. A gente se conheceu na porta da Nostro Mondo e ele disse que fui meio antipática (risos). Acho que estava correndo com alguma coisa e ele tentou falar comigo. Na minha vida apareceram mil pessoas querendo me vestir, mas ninguém foi como ele. Chegou e falou: quero fazer uma roupa para você, marcou comigo, fui na casa dele e ele fez mesmo. Tenho um guarda-roupa histórico.

Da onde surgiu o Pantera?

Surgiu da época em que trabalhei com moda. Estava com a Claudia Liz, e conheci o irmão da Monique Evans, o Marcos Pantera, que era um modelo internacional. Era apaixonada por ele, fui ao camarim e disse: Ai, eu adoro você, acho você lindo, sou fã e perguntei se poderia pegar o Pantera do sobrenome dele. E ele falou “fique à vontade.”

 

Toda performática, você já teve alguns acidentes durante as apresentações. Teve algum que tenha marcado?

O acidente mais grave foi o da Blue Space. Foi em um domingo que implorei para o Vitor (dono da casa) fazer o show, pois o público estava uma delícia. O equipamento começou a girar, pegou meus dedos, enrolou nos meus braços, fiquei lá em cima, gritando. É claro que poderia ter ganhado muito dinheiro, mas assim que o Vitor veio falar comigo, já disse: “não vou processar”. Quando tive problemas com drogas, foi ele que me pagou clínica, tudo. O mais importante é que estou com saúde, estou bem, sem sequelas, com meu público e pessoas que me amam. O acidente foi um acidente, deixa pra lá.


Você disse que começou fazendo samba. Atualmente procura reciclar o repertório ou procura trazer um pouco das músicas antigas para os dias atuais?
Até posso trazer música antiga, pois muita gente não conhece. Mas noto que o público deu uma mudada, quer uma música mais louca e tal, e eu entrei nessa. Eu tô ali e estou junto para o que eles quiserem.

Quando você começou, não existia essa coisa de bate-cabelo...
Fui eu quem começou com o bate-cabelo, não existia. Sabe aquele giro do Michael Jackson? Estava com um cabelão longo e não estava de salto, e fiz um giro mais rápido e o cabelo abriu. Daí comecei a bater o cabelo, as bichas começaram a gritar, e foi uma loucura. Mas nem catei que aquilo fosse ser uma confusão. Hoje existe rainha do bate-cabelo, princesa, maior bate-cabelo, mas quem escolheu isso? Acho que só ajudei a abrir esse campo. Sei que fui a primeira drag a bater cabelo no Brasil, que sou a primeira do Brasil, isso tenho certeza.

Converso com artistas veteranos que trabalharam com noite e eles dizem que existe uma certa desvalorização no mercado, que falta trabalho. Você também nota isso?
Isso vem dos donos das boates. Existem algumas artistas antigas que estão sumidas porque as portas foram fechadas para elas. Mas será que o povo não gostaria também de ver isso na noite? Coloca bate-cabelo, mas também coloca algo com glamour, uma vedete, uma mistura. Qual é o problema de ter isso? Hoje infelizmente estão vendo mais produção que talento.
 

O que diria para quem quer começar a carreira de drag hoje?
 Nunca desista dos seus sonhos, mas tem que correr atrás, sempre com prazer, nunca de qualquer jeito. Em 10 shows que você vê hoje, vai ver a drag entrar, tirar a roupa, tirar toquinha e bater-cabelo. Não adianta comprar uma peruquinha e bater-cabelo no palco. É o que todas fazem hoje.

Já pensou em desistir?
Claro. Passei por uma fase que não tinha condições nenhuma, mas, ao mesmo tempo em que falava que não queria mais, isso era a minha vida. Se a Márcia tivesse saído da minha vida, eu tinha morrido, o Marcio já era. Acho que sempre tive essa força porque pensava: “A Márcia não pode acabar assim, o Márcio não vai deixar a Márcia acabar assim.”



Escrito por Flor do Asfalto s 11h24 AM
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Após 20 anos uma transexual posa para a revista Playboy

Mitos e verdades sobre a trajetória de mulheres trans na Playboy

Por Neto Lucon
DasBancas

Despir-se para uma revista masculina virou praticamente trabalho conseguinte para as beldades que participam de reality shows. Dia 23 de Março de 2011: uma ex-bbb promete esquentar novamente o mercado de revistas com um quê de novidade. Trata-se de Ariadna Thalia Arantes, primeira mulher transexual operada a entrar em um reality show e quarta a estrelar uma edição da revista Playboy, a mais conceituada do gênero.

Foram 20 anos desde o último ensaio de uma transexual. E, ao contrário do que muita gente pensa e é noticiado, não foi Roberta Close a última trans a sair nua nas páginas da publicação brasileira. Em fevereiro de 1991 (capa da apresentadora Karmita Medeiros), uma modelo italiana chamada Tula (Caroline) Cossey esteve nas páginas internas com o título: “O Fenômeno que enganou até Bond, James Bond”, em menção ao filme que estrelou em 1981 com Roger Moore.

No ensaio de seis páginas e doze fotos, realizado pelo fotógrafo Byron Newman, a trans aparece de cabelos esvoaçantes, olhos claros e protagoniza um striptease. A revista resumiu a trajetória da atriz e terminou dizendo “Tula se considera uma mulher realizada. Dissemos mulher? Bem, e você ainda tem dúvida?”


Caroline Cossey (Tula)

Na mesma edição, como se a presença de transgêneros estivesse tornando-se comum para a Playboy, havia também uma foto de Roberta Close na seção “Melhores do Ano”. Ou seja, duas transexuais nuas estavam retratadas com a maior naturalidade na revista. Mas, apesar disso, o sonho da “coelhinha trans” ficou esquecida naquela publicação. Foi a última vez, a última participação... até chegar Ariadna.

Dá um close nelas

Pioneira a propagar a beleza trans no Brasil, antes mesmo de qualquer intervenção cirúrgica, Roberta Close estreou na Playboy em maio de 84, após ter sido vista na coluna Click (capa com Tânia Alves), causando frisson em todo o país. Tanto foi que, três meses após o primeiro ensaio, o fenômeno estava novamente nua, com direito a caderno especial. “Primeiro foi uma coisa pequena, depois tomou uma proporção muito grande, aquela coisa toda da edição esgotada. Todo mundo começou a se dar conta de quem era Roberta Close”, declarou a modelo à revista Sexy de 1993.

“A musa da transguarda sexual do Brasil”, “A mulher mais bonita do Brasil é homem”, “O maior enigma sensual do Brasil”, “Roberta Close também é democracia” foram alguns dos títulos oferecidos a ela: um fenômeno de beleza.

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Roberta na PBY (“atendendo a pedidos!”) e na extinta revista Manchete

Sua presença na mídia – no auge da rivalidade Rio x São Paulo - motivou marketeiros a fabricarem outra bela trans que seria rival, a travesti paulista Thelma Lipp (1962-2004). Resultado: Thelma também se tornou coelhinha em outubro de 84 (capa de Betty Faria). Enquanto Roberta fazia a linha femme fatale, Thelma era pura meiguice, características transferidas aos ensaios, todos elogiadíssimos através de cartas. Após a cirurgia de redesignação sexual, Close exibiu o resultado e protagonizou o terceiro – e último – ensaio para a Playboy, em março de 1990 (capa Luma de Oliveira). Intitulado: “O final feliz”, os cliques do fotografado Bob Wolfenson contaram com poses mais ousadas e livres. Roberta posou posteriormente para a Sexy e Ele&Ela.

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Década de 1990: capas pós-cirurgia

Retrocesso

De lá pra cá pouquíssimas revistas apostaram na beleza trans. Em 2005, a travesti Bianca Soares, ex-casa dos artistas, posou nua para a revista Man (editora Gênero, ensaio feito por André Lima), e em 2009 a modelo Patrícia Araújo, que desfilou no Fashion Rio, desnudou-se para a revista A Gata da Hora. Embora os ensaios tenham ficado bonitos, ousados e artísticos, a repercussão foi modesta.

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Bianca Soares para a revista Man

Até a Playboy demonstrou estar bastante careta em 2010. Na edição de 35 anos da revista (com Cleo Pires na capa), dois jornalistas responsáveis por fazer listas colocaram Roberta e Thelma como os únicos “homens” a posarem nus para a revista. Algo espantoso, já que, em nenhum dos ensaios dos anos 80 e 90, tais termos foram empregados a elas. Eram sempre mitos, enigmas, fenômenos e maravilhosas, nunca utilizaram qualquer referência masculina.

A lacuna de travestis e transexuais em publicações masculinas do início dos anos 90 até os dias atuais pode explicada pela pouca abordagem positiva da categoria. Saíram as trans dos shows de calouro dos anos 80, e entraram uma novidade para o show televisivo dos anos 90, as drags, com apelo decisivo e humorado da sétima arte. Pouco abordadas como artistas, as travestis e transexuais começaram a ser exploradas em notícias correlacionadas a escândalos, pegadinhas, freak shows e páginas policiais. Nada muito sedutor.

Na capa?

Assim como suas antecessoras, Ariadna não sairá na capa da revista regular, mensal, oficial, mas de um “especial” (uma prévia na chamadinha da revista mensal, com a ex-BBB Michelly, e em um extra feito somente para ela). De acordo com algumas fontes ligadas à publicação, a escolha é justificada pela política da Playboy internacional, que exige que apenas mulheres biológicas estampem a capa oficial, jamais homens, transexuais ou travestis.

Além do mais, a presença de uma transexual ou travesti deve ser muito bem explicada pela revista, tal como um pedido inegável dos leitores assíduos e curiosos. Isso pode ser comprovado ao ver capas de Roberta com chamadas do tipo “Atendendo a pedidos. Novas Fotos do Fenômeno Roberta Close” (abril de 1984), bem como a pesquisa da Internet sugerindo um ensaio com Ariadna. Na página oficial da Playboy, a ex-bbb venceu com 65% dos votos.

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Ariadna para o Paparazzo, pelas lentes de Marcos Serra Lima

Mas se não estampar a capa da revista oficial pode ser encarado como retrógrado, o fato de publicarem uma revista especial, somente com Ariadna é uma ousadia, um avanço. Qual motivo? Pensem: enquanto nas revistas com Roberta e Thelma os leitores tinham a desculpa de que as musas estavam apenas no recheio, que existiam outras mulheres ou até que compravam a revista pelas matérias, nesta, eles terão que comprar sem preconceitos e conscientes de que toda a publicação será composta somente por uma mulher transexual: 60 páginas de fotos e entrevista exclusiva. Algo novo e uma ousadia dos editores. É esperar para ver. As fotos são de Bico Stupakoff.

NUAS
> Anos 80: Roberta Close (Playboy), Thelma Lipp (Playboy), Claudia Wonder (Big Man Magazine)
> Anos 90: Roberta Close (Ele&Ela, Sexy), Tula Cossey (Playboy)
> Anos 2000: Bianca Soares (Man), Patrícia Araújo (A Gata da Hora)
> 2010: Ariadna Thalia (Playboy)



Escrito por Flor do Asfalto s 09h33 PM
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Travesti Bianca Mahafe na passeata contra homofobia,
na Avenida Paulista, em São Paulo, dia 19 de fevereiro.



Escrito por Flor do Asfalto s 03h15 PM
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“Na terceira idade muitas travestis voltam ao armário”
Debate no Casarão Brasil, em fevereiro, falou sobre a vida de travestis idosas

por Neto Lucon



“Ao chegarem na terceira idade muitas travestis voltam ao armário, voltam a ser e a se vestir como homens”, disse o psicólogo Pedro Sammarco Antunes (foto), durante o debate Travestis na Terceira Idade, mediado pela travesti Miriam Queiróz (foto centro), promovido pelo Casarão Brasil, no dia 18 de fevereiro. A afirmativa é justificada pelo preconceito duplo que sofrem - primeiro por serem travestis e depois por serem idosas – além de fatores como abandono, solidão...

Autor de um mestrado sobre o tema, Pedro declarou que, enquanto idosos não-travestis buscam o rejuvenescimento para se adequar aos moldes sociais (da eterna beleza jovem), as travestis geralmente só conseguem respeito quando passam pelo estereótipo da senhora e da velhice. “Caso ela se submeta às cirurgias de rejuvenescimento, ainda sofrerá preconceito por ser travesti. A sociedade tende a recriminar aquilo que foge dos padrões”, explicou.  

No debate, também esteve presente um senhor que declarou ter sido travesti por mais de 15 anos, trabalhando na Europa e deixando a vida feminina após a maturidade. O nome social é Mayara Clen dos Santos (foto ao lado): “O motivo de eu ter deixado de ser travesti é complexo, tem a ver com um amor da época. Também vi que aquilo não era muito bem o que eu queria mais”, resumiu. Hoje, Mayara tem cabelos curtos, pêlos que saem pela camisa e vestes masculinas. Os gestos, o olhar e a fala continuam delicados.

A realidade e o retorno ao armário de travestis assemelham-se com a de muitos homossexuais idosos. Em reportagem da revista Junior, edição 13, homossexuais com mais de 60 anos revelaram a difícil vida de quem necessita de serviços assistenciais, como asilos e albergues. Para não sofrer preconceito de outros moradores idosos (que fazem parte de uma geração mais conservadora), muitos escondem a sexualidade e o passado gay. A maioria dos abrigos de São Paulo sequer sabe responder sobre a sexualidade dos senhores.

 

A psicóloga Carolina Rodrigues de Carvalho, com a finalidade de mostrar outras trajetórias, declarou que muitas travestis idosas assumem o papel de mãe das mais novas. “Muitas são cafetinas, bombadeiras, fazem a iniciação de uma travesti”. Ela também ressaltou que devemos encarar a prostituição como uma profissão – “estamos falando do corpo e no direito de cada um” – mas que, tendo em vista que ser cafetina e bombadeira é ilegal, é necessário atentar os olhos para este grupo através de políticas públicas.

“Estamos vendo que para uma travesti na terceira idade as opções não são tão boas. Precisamos, portanto, de políticas públicas voltadas a elas”, afirmou Carolina.

 

COTAS PARA TRAVESTIS?
Para suprir as necessidades da população travesti, foi discutido cotas e bolsas. Algumas pessoas manifestaram ser contra cotas, enquanto outras defenderam que é uma alternativa emergencial para o grupo que não teve acesso ao estudo.

Entre os discursos, destacamos: “O sistema de cotas não é para sempre. É um sistema emergencial para quem já não teve acesso à escola.” “É o governo assumir que existiu falhas com aquela população, afinal, travesti tem algum acesso a estudo, alguma chance no mercado de trabalho?” “Sabemos que as cotas não vão resolver os problemas, e que o problema está na base. Mas o que fazer para quem já passou dessa fase?” Pense...



Escrito por Flor do Asfalto s 02h01 PM
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Em 02/02 o Departamento de Humanidades, por meio da Assessoria de Gênero realizou em parceria com a Sub Sede do ABC do Conselho Regional de Psicologia uma roda de conversa sobre travestis e transexuais, em comemoração ao dia da Visibilidade Trans, 29/01. O objetivo foi fomentar a discussão junto @s psicólog@s da região, haja vista esta ser uma temática que ainda enfrenta muitos tabus na profissão. Participaram profissionais de Santo André e Mauá em  roda de conversa muito enriquecedora, tendo como facilitador e debatedora, respectivamente,  Alexandre Peixe e Clara Cavalcanti.

Esta idéia foi das Psicólogas Janaína Leslão e Carolina Carvalho, que participam da Comissão de sexualidade e gênero da sede de São Paulo do Conselho Regional de Psicologia - CRP.

Esta parceria entre CRP e Prefeitura para discutir a diversidade sexual foi uma ação inovadora, a primeira de muitas outras.

 



Escrito por Flor do Asfalto s 10h36 AM
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Terceira idade de trans é tema de debate no Casarão Brasil
por Neto Lucon



Quais são as dores, alegrias e dilemas de travestis e transexuais que passaram dos 60 anos? Dando continuidade nas atividades referentes à Visibilidade Trans, comemorada no dia 29 de janeiro, o Casarão Brasil vai promover hoje, dia 18 de fevereiro, às 18h, um debate sobre Travestis e Transexuais na Terceira Idade.

Quem participa do evento são os psicólogos Carolina Rodrigues de Carvalho, assessora de Políticas de Gênero pela Secretaria do Governo (Prefeitura de Santo André), e Pedro Sammanco Antunes, mestre em Gerontologia pela Puc-São Paulo e colunista da revista Gmagazine.

Pedro é autor do artigo “Envelhecendo como Travesti no Brasil”, em parceria com Elisabeth Frohlich Mercadante, e afirma que travestis idosas são consideradas abjetas e invisíveis para a sociedade, e que o artigo era um reflexo do envelhecimento da população mundial. Em dado momento, afirma que, frente ao preconceito que sofrem desde a mais tenra idade, as travestis idosas são mais que pessoas velhas. São sobreviventes.

PAPEL DE MÃE E NOVA VELHICE
Uma das reflexões feitas por Pedro é que na terceira idade muitas travestis assumem o papel de mãe das novas gerações. “Orgulham-se de serem mães ou madrinhas das mais novas. Sua tarefa é de iniciar, proteger e ensinar a mais nova a viver como travesti.” Essa iniciação pode ser através de dicas para transformar o corpo, atuar como bombadeira ou cafetina.

Ele também diz que o envelhecimento - tido como algo negativo numa sociedade marcada pela busca do novo - atualmente está sendo moldado pelas exigências comerciais e as diferencia dos demais idosos: "Idosos não travestis serão aceitos conforme disfarçarem melhor as marcas da velhice. Porém, a travesti idosa, mesmo que disfarce as marcas da velhice, se não for confundida com senhora, não será aceita, pois ainda será travesti.”



Escrito por Flor do Asfalto s 12h27 PM
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Travesti conquista mudança de nome na certidão de nascimento

 

Pela primeira vez uma travesti consegue ter seu nome social reconhecido legalmente e retifica sua certidão de nascimento.

A travesti Marcelly Malta Schwarzbold, 60 anos, presidenta do Conselho Municipal de Direitos Humanos da Prefeitura de Porto Alegre e Presidenta da Igualdade - Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul, recorreu à Assessoria Jurídica do Grupo SOMOS Comunicação Saúde e Sexualidade em novembro do ano passado para buscar o direito de alterar o prenome nos seus documentos, uma vez que é assim que todos a conhecem e é o nome que adotou socialmente.

Os advogados Gustavo Bernardes e Bernardo Dall'Olmo de Amorim, responsáveis pelo processo conseguiram junto à Vara de Registros Públicos através do Juíz Antônio Carlos Nascimento e Silva a retificação de seu nome no registro civil.

Para Dall'Olmo de Amorim a importância está em ter o reconhecimento do Estado da construção da identidade de gênero e não somente do caminho da patologização, como comumente são tratados os casos das pessoas transexuais. "Neste caso a Marcelly demonstra que é possível ser reconhecida legalmente como uma pessoa do gênero feminino, mesmo que se mantenha como sexo masculino na certidão de nascimento", afirma.

"Parece que nasci novamente", afirma Marcelly Malta Schwarzbold. "Fico muito orgulhosa de poder saber que daqui pra frente outras travestis poderão evitar constrangimentos e humilhações e conseguirão o mesmo direito de alterar seus prenomes nas identidades", conclui

 

 

 



Escrito por Flor do Asfalto s 05h30 PM
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Transexuais são contratadas como aeromoças pela primeira vez na Tailândia

 

Nathatai Sukkaset, de 26 anos, Dissanai Chitpraphachin, de 24, Chayathisa Nakmai, de 24, e Phuntakarn Sringern, de 24, estão entre as contratadas


Bangcoc, 28 jan (EFE).- A nova companhia aérea tailandesa de baixo custo PC Air se tornou a primeira do país a contratar transexuais para exercer a função de aeromoças, classificando-os como "terceiro sexo" para as autoridades de imigração.

Após dezenas de aspirantes apresentarem-se nesta semana para as entrevistas, três foram contratados e serão treinados por mulheres antes de iniciarem suas atividades, informou o diário local "The Nation".

Entre as novas aeromoças está Thanyarat Jiraphatpakorn, que em 2007 foi eleita "Miss Tiffany" no concurso internacional de beleza para transexuais que é realizado todos os anos na localidade litorânea de Pattaya, ao sul de Bangcoc.

A Tailândia tem a reputação de ser tolerante em relação aos transexuais, que por sua vez denunciam que continuam a sofrer perseguições.

Um filme que denuncia esta discriminação foi recentemente proibido pela censura sob o argumento de ter conteúdo pornográfico.


Fonte: http://www.gay1.com.br/2011/01/transexuais-sao-contratados-como.html



Escrito por Flor do Asfalto s 01h32 PM
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Artista transgressora, Claudia Wonder faria hoje 56 anos
por Neto Lucon

Nascia hoje Claudia Wonder, uma intersexo que foi criada como homem, descobriu-se travesti e fez  história

Há 56 anos nascia Marquinhos Antonio Abrão, conhecido da adolescência à vida adulta como Claudia Wonder (1954-2010). Chorando e ainda nos braços dos médicos, o bebê exibia geneticamente um segredo de família, também a luta que compraria sensitivamente por toda a vida: a desconstrução de gêneros e sexo biológico. Marquinhos era intersexo, entre as pernas possuía órgãos sexuais dúbios ou não-definidos e só soube disso sendo travesti, chamando-se Claudia, depois de cinco décadas.

“Passei minha vida inteira acreditando que era travesti, mas há alguns anos uma de minhas tias resolveu contar alguns ‘segredos de família’ e eu descobri que nasci intersexo. Fiquei curiosa, fui pesquisar e descobri que também possuía órgãos femininos internos. Com um exame de ultra-som os médicos identificaram o útero, e, para meu espanto, também tinha ovários”, escreveu Claudia para uma interessante reportagem da extinta revista Dom, em 2008.

 

Por sua realidade, foi ignorada pelos pais biológicos e criada como homem pelos tios-avós, que lhe proporcionaram uma infância rígida e ao mesmo tempo cheia de mimos. Os sonhos de tornar-se Cinderella, Miss Brasil e professora, neste período, ficavam concentrados apenas nas brincadeiras e aulas de religião. Na adolescência, a genética falou alto e Marquinhos sentiu o lado feminino aflorar. Deixou Claudia entrar em sua vida e, aos 22 anos, tornou-se rádio e gravador, homem e mulher, e brilhou. Não sem antes levar algumas rasteiras do preconceito, da escola, da própria família, que chegou a pedir para prendê-la por vestir-se com trajes femininos.

Claudia escreveu uma história com várias buscas, descobertas, brigas e transgressão. Maquiou e atuou nas pornochanchadas da época (foi a 1ª a estrelar um filme explícito com travesti), ficou inteiramente nua para uma publicação masculina, substituiu Sônia Braga no teatro, jogou-se sem medos em uma banheira de groselha para protestar contra o preconceito a portadores de HIV, participou de Paradas, cantou em bandas de rock nos anos 80, conquistou amigos como Caio Fernando Abreu e Cazuza, explanou suas verdades em reuniões, debates, manifestações gravou um CD, escreveu uma coluna na G, atuou em filmes como Carandiru, clipes como o da roqueira Pitty, publicou um livro, ganhou um documentário. Ufa!

 

Em uma de suas músicas, Diva da Dúvida, dizia: “a verdade do que sou não está no RG”. Nem no RG, nem em nenhum livro de comportamento humano escrito em 1954, ano de seu nascimento, uma vez que a concepção de gênero sequer existia (os primeiros estudos foram publicados a partir dos anos 60). Claudia nasceu para fazer história antes mesmo de sua existência ser reconhecida. E inconscientemente esteve de encontro com a sua natura, acertando em suas escolhas, em suas pesquisas, como mais uma manifestação viva do comportamento humano.

Porém, mesmo sabendo que nasceu intersexo, algo que poderia justificar para o mundo a mulher que existia dentro de si, a artista escolheu não abandonar a luta trans. Galgou muitos anos na peleja de ser travesti, sentindo-se uma, sofrendo e tendo prazeres como tal, para abdicar de sua verdade social. Estava feliz e orgulhosa por ser travesti. Feliz e orgulhosa por também descobrir-se intersexo. Em seu documentário, fez questão de dizer que era composta por um casal – homem e mulher - feliz e em harmonia.

Talvez sua maior luta – dos palcos, dos pioneirismos nas artes, aos textos dos últimos anos – tenha sido em prol da desconstrução dos estereótipos, do gênero ser determinado principalmente pelo órgão sexual, motivo de tanto sofrimento para travestis, transexuais, intersexo, hermafroditas, entre outros que fogem a regra. Claudia viveu na tentativa de sermos aceitos por aquilo que sentimos ser. Na liberdade de homens serem femininos, de mulheres serem masculinas, de existirem travestis, transexuais, sem julgamentos.


Ela explica isso na reportagem: “Saber da minha realidade nada mudou, apenas me trouxe a alegria de saber que não somos apenas homens e mulheres no mundo e que a natureza está aí para provar. O interessante é que sempre tive a nítida impressão de ser andrógina, João e Maria, dois em um, rádio e gravador.” Embora seja triste comemorar o nascimento de quem não está mais entre nós, sinto-me feliz em trazer reflexões daquela que nasceu para transformar. Reflexões que continuam inéditas e vivas para muita gente. Desta maneira, Claudia continua ensinando, lutando e fazendo história.

OBS: De acordo com uma pesquisa da bióloga americana Joan Rougharden, a cada 500 crianças que nascem uma é intersexo. A informação é pouco disseminada porque derruba os padrões de homem e mulher. Além disso, logo após o nascimento os médicos decidem o futuro e o sexo da criança, e a questão fica novamente guardada como um segredo.



Escrito por Flor do Asfalto s 08h55 PM
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