Escrito por Flor do Asfalto às 11h42 AM
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Romance de Marco Lacerda

é indicado ao Jabuti 2008

 

O romance "As flores do Jardim da nossa Casa", do jornalista e escritor Marco Lacerda, acaba de ser indicado pela Câmara Brasileira do Livro ao Prêmio Jabuti 2008, a maior láurea da Literatura brasileira, na cateogoria Romance. Este é o terceiro livro de Lacerda, precedido por "Clube dos Homens Bonitos" (Editora Objetiva,1996) e "Favela High-Tech" (Scritta Editorial, 1994), que está sendo adaptado para o cinema pela Gullane Filmes.

 

"As Flores do Jardim da nossa Casa", publicado pela Editora Terceiro Nome, é um romance autobiográfico. Depois de um assalto, no dia em que fez 40 anos, dois amigos de Marco Lacerda o encontraram no apartamento em que morava nos Jardins, em São Paulo, e soltaram as cordas que o mantinham imobilizado sobre sua cama. Esse assalto com requintes de crueldade é o fio condutor da história que Marco conta em As flores do jardim da nossa casa: uma história que agarra o leitor pelo colarinho a partir da primeira página e o leva até a última, sem lhe dar um minuto de trégua para respirar. Com seu texto ágil, Marco envolve o leitor sem deixá-lo saber onde termina a realidade e onde começa a ficção, deixando-o perplexo, comovido, encantado, machucado e vazio com o final surpreendente.

 

Marco Lacerda é jornalista com vasto currículo, tendo trabalhado nos jornais Estado de Minas, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde, O Tempo (de Belo Horizonte)  e nas revistas Playboy, Cláudia, Superinteressante, entre outros. Grande parte de sua carreira jornalística foi exercida no exterior, como correspondente dos grupos O Estado de São Paulo e Editora Abril. Atualmente Lacerda apresenta o programa FrenteVerso, uma revista cultural, na Rádio Inconfidência de Belo Horizonte, onde, a cada domingo, às 21h, entrevista personalidades de destaque na cultura brasileira.

 

O FrenteVerso pode ser ouvido de qualquer parte do Brasil e do mundo via Internet, através do site

www.inconfidencia.com.br

 

 

 



Escrito por Flor do Asfalto às 10h46 AM
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Travestis criam Cooperativa Têxtil
Cansados da rua, galpões podem ser a saída para a dignidade

O caso Ronaldo repercutiu também do outro lado do Rio Iguaçu. Na Argentina travestis se viram prejudicadas pelas Nuevas Ronalditas e lotaram os consultórios de psicólogos de Buenos Aires.

Como no Brasil, as travas argentinas são vistas como simbolo sexual, promíscuo e refúgio de maridos insatisfeitos com o consolo de suas esposas. Esbeltas, bravas e rocas, as porteñas se viram diante de um dilema: "Queremos ficar a vida inteira aguentando 'homens' como Ronaldo? A iniciativa recebeu o apoio de Andreia, a travesti fenômeno, que decidiu virar o jogo.

Adréia: "Fiquei atrás de Ronaldo agora quero estar a frente dessa idéia"

Depois do código de convivência da Capital Argentina, que restringiu o trabalho às praças em homenagem a hérois comunistas, as travestis passaram a ver a fonte de seu dinheiro como ato de dignidade e através do Ministério do Trabalho criaram uma cooperativa têxtil ainda sem nome.

"Somos fruto dessa sociedade... não caimos do céu maquiadas e glamurosas, perversas e promíscuas... A sociedade deve admitir que somos resultados de suas qualidades e defeitos", diz Christina Dakuschiner, uma salteña de origem boliviana e lider do Sindicato das Trabalhadoras Transexuais da Construção Civil, a Sitratracc.

A cooperativa é considerada uma vitória e, a meta, ambiciosa: Empregar no primeiro mês 30 meninas e até 2009 elevar esse número para 400 além de assumir o controle do mercado mundial da moda após a morte de Yves Saint Laurent
 
 


Escrito por Flor do Asfalto às 11h36 AM
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Mudança de sexo virtual do fotógrafo/designer Adriano Batista

Hermafrodita

De Hermes e de Afrodite o filho esbelto e amado,
de Salmacis oscula o corpo melodioso,
e a ninfa treme e ondeia o moço deslumbrado,
com um prazer que chega até a ser doloroso...

Ela – dócil, a arfar, como, ao vento, as searas...
Ele – forte, a arquejar, como, com cio, um touro...
O cabelo da ninfa inunda as duas caras,
e há beijos musicais sob essa chuva de ouro...

Enleandos um ao outro, a asa de uma mosca
não caberia não! entre esses corpos belos,
que se enroscam, sensuais, febris, como se enrosca
no tronco a vide em flor, e a hera nos castelos.

Dos dois corpos a união, entre lascivos ais,
cada vez, cada vez se torna mais completa,
e aquelas coxas cada vez se agitam mais:
uma brancas, de luar, outras rijas, de atleta...

Num doido frenesi, entrar parecem querer
ela – no corpo dele, ele – no corpo dela!
Choram, gemem, dão ais... e no auge do prazer,
começam a gritar para o céu que se estrela:

– «Ó deuses! atendei esta súplica ardente:
se é verdade que ouvis as vozes que vos chamam,
os nossos corações, fundi-os num somente,
fundi num corpo só nossos corpos que se amam!»

Chegou ao vasto Olimpo a rogativa louca;
e Zeus, o grande Zeus, cuja força é infinita,
as duas bocas transformou numa só boca,
e dos dois corpos fez um só: HERMAFRODITA!

 E. M. de Melo e Castro




Escrito por Flor do Asfalto às 09h49 AM
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Centro de Referência da Diversidade de São Paulo completa três meses com muitas atividades

Grupo da aula inaugural da Oficina de Teatro




 

Há poucos dias de completar três meses de funcionamento, o Centro de Referência da Diversidade, localizado no centro de São Paulo, já é um espaço em plena atividade. Prestando atendimento a homens, mulheres, travestis, transexuais e profissionais do sexo em situação de vulnerabilidade, o CRD possui atualmente 11 atividades em andamento.

Viabilizado a partir de uma parceria entre a Prefeitura de São Paulo e a União Européia, e idealizado pela ONG Grupo pela Vidda, o CRD tem sua esfera de atuação focada na área central da cidade e é coordenado pelo Projeto de Inclusão Social Urbana - Nós do Centro. Além das diversas oficinas e grupos de apoio que existem no CRD, como o Chá Positivo, direcionado a soropositivos, a atividade mais praticada por
lá é a da responsabilidade social.

Fotos da mostra "Retratos de uma Cidade Escondida", que o fotógrado Micheal Wolf doou para o CRD

Histórias de pessoas que mudaram de vida após começarem a freqüentar o Centro já existem, e é o caso de Bebel, que chegou ao CRD no dia da inauguração. "Achei um jornal na rua dizendo que ia abrir o Centro, e vim logo no primeiro dia", diz ela, que trabalhava como diarista e fazia bicos pela cidade, mas não tinha onde morar. Após passar a freqüentar o CRD e receber acompanhamento psicosocial, Bebel readquiriu sua auto-estima e, mantendo seus trabalhos, conseguiu sair do Arsenal da Esperança, no bairro da Mooca, albergue onde dormia todas as noites. Atualmente, Bebel aluga um quarto próxiumo ao Centro apenas para ela. "A gente aqui recebe ajuda também na parte psicológica. Às vezes me sentia em depressão, e vindo aqui eu melhorava. Hoje estou ótima e sou outra pessoa", conta Bebel.

Lynderson Paiva, Assistente de Coordenação, e Claudia Wonder, Orientadora Sócio-Educativa

A travesti Limara, com 38 anos de vida e 28 de rua, saiu de casa aos 10 anos de idade, e por vontade própria. "Vim descendo de ônibius do Piauí, mas como eu tinha família, o Juizado sempre me achava e me mandava de volta prá casa. Mas eu fugia de novo", conta. Ainda fazendo programas, Limara quer a partir de agora fazer muitos cursos no CRD. "Compareço sempre de quinta, na aula de pintura, e estou me interessando ao máximo. Meu sonho é fazer um monte de cursos, para poder ganhar meu dinheiro suado", diz. "Mas eu queria mesmo que tivesse um curso de cozinha", completa.

  

Fátima Brito e Fernanda Canto, do Projeto Nós do Centro, e Érika Mota, Agente de Desenvolvimento


Como Orientadora Sócio-Educativa do CRD está Cláudia Wonder, que desenvolve também um trabalho de suporte, dando ainda mais credibilidade ao Centro junto às travestis e transexuais do centro de São Paulo. Responsável também por estabelecer um amplo canal de comunicação entre elas e o Centro, Cláudia tem trazido diversas pessoas da rua. "Não apenas temos os cadastramentos espontâneos como já realizamos muitos trabalhos de retirada de mulheres das ruas", diz.

Bebel, Limara e Rafael, usuários do CRD : Trabalhos realizados na oficina de pintura em tela.

Confira abaixo todas as atividades do CRD
Espaço Cidadão
Oficina de Moda
Oficina de Dança Afro-Brasileira
Oficina de Teatro
Cinema Diversidade
Oficina de Atividades Laborativas
Oficina de Pinutra em Tela
Chá Positivo
Grupo Terapêutico
Vídeo Debate
Oficina de Pintura em Tela

O Centro de Referência da Diversidade fica na rua Major Sertório, 292/294. O horário de funcionamento é das 13h às 22h

Matéria original do site www.mixbrasil.com.br



Escrito por Flor do Asfalto às 08h30 AM
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Museo Travesti Del Perú: luta da cidadania trans da América Latina

Por Claudia Wonder
29.05.08
Foto: Moisés Pazzianoto

Foi com iniciativa do filósofo e travesti peruano Giuseppe Campuzano que surgiu em Novembro de 2003 o Museo Travesti Del Perú. O objetivo é preservar a memória da comunidade trans, sua ligação com os outros segmentos da sociedade e, com isso, promover uma nova história do Peru. Uma pesquisa sobre a diversidade e o significado do travestismo presente na cultura peruana, que se manifesta nas artes, na festa patronal e na vida cotidiana do país.    

Campuzano conta que há quase 500 anos, os colonizadores espanhóis chegaram na América Latina e tomaram o controle do Império Inca. Antes de suas chegada, existia uma identidade indígena para pessoas que não se viam nem como homem nem como mulher. Os colonizadores proibiram essa identidade, punindo essas pessoas com o açoite e a humilhação pública. "Travesti é um termo moderno que descreve na América Latina as pessoas que transitam por gêneros, sexos e maneiras de vestir e surgiu dessa identidade reprimida. Esta repressão teve ecos em outras partes do mundo, como por exemplo, quando os colonizadores britânicos proibiram os hijras na Ásia Meridional", afirma. 

Fotos: Divulgação


A obra Maorylin é um dos
destaques do museu

O diretor do Museo Travesti Del Perú também afirma que os travestis atuais herdaram o que há de pior nos dois gêneros. Diz que nos espaços públicos, os travestis são considerados suficientemente masculinos para serem espancados pela polícia e para sustentar a família. No mercado de trabalho a discriminação significa que ser profissional do sexo é quase a



única opção para a pessoa trans. No entanto, pelo menos no Peru, as travestis estão agora se mobilizando para exigir seus direitos e expandir suas possibilidades. Uma dessas iniciativas é o Museo Travesti Del Perú .

O museu é constituído de uma exposição volante de trabalhos artísticos e peças de informação sobre travestis dos tempos históricos até o tempo presente. A mostra já foi exibida em vários parques, praças, bulevares, mercados, universidades e centros em todo o Peru, incluindo áreas onde travestis trabalham e/ou freqüentam. O espaço não celebra somente travestis. Quer mostrar que a tentativa de categorizar todas os humanos como homem ou mulher traz problemas não somente para as travestis, mas também para outras pessoas. Muita gente não se encaixa nessas categorias. Você pode ter genitália feminina, mas sua bunda ou seios pode não ser grande o suficiente para que seja considerada feminina. Você pode ter um pênis, mas a sociedade pode te deixar com um complexo de que ele é pequeno demais para você ser um homem adequado. Ou então seu corpo pode se encaixar perfeitamente no estereótipo de beleza feminina, mas você deseja viver como um homem. As categorias de sexo, como o gênero, são construídas socialmente – ao menos até certo ponto. Como acontece com o gênero, a socialização regula e reprime a diversidade de sexos. Se contestarmos a categorização de todas as pessoas como homem ou mulher, isso pode acabar com a exclusão das travestis e expandir as possibilidades de todas as pessoas.

Para isso Giuseppe Campuzano sugere que o movimento feminista agregue o movimento trans em sua luta contra o machismo. "As pessoas trans tornaram-se bode expiatório dos dois papéis de gênero e precisam ficar livres da opressão de gênero. Porém, a existência dessas pessoas trouxe novos 'insights' para o pensamento convencional sobre sexo e gênero. Portanto, as reivindicações por direitos das pessoas trans estão intrinsecamente ligadas às metas do movimento feminista. Está na hora de trabalharmos juntas para superar as dicotomias limitantes que restringem a todos nós", destaca o filósofo.

E no Brasil, como seria a condição das pessoas trans na organização da sociedade indígena local? Talvez esteja na hora de nossos antropólogos e estudiosos do movimento GLBT brasileiro empreitarem uma pesquisa a respeito, assim como Giuseppe Campusano está fazendo no Peru. Vocês não acham? 

Beijos a tod@s!
Claudia Wonder


Giuseppe Campuzano transformou o material do Museo Travesti Del Perú em um livro que você pode obter entrando em contato através do e-mail giucamp@gmail.com.

Matéria originalmente publicada no site www.gonline.com.br



Escrito por Flor do Asfalto às 09h42 AM
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   O Andrógino Divino

Parece que o mundo antigo era muito mais rico em se tratando de imaginação. Nos tempos atuais as novidades se dão sempre a partir da ciência que deixa boquiabertas pessoas comuns, mas não aquelas familiarizadas com as ciências ocultas, como a alquimia, ou com o estudo das diversas cosmo e antropogêneses.

     A figura do andrógino, metade homem, metade mulher, é hoje uma aberração. Assim como para muitos o é o nascimento de siameses, hermafroditas ou até mesmo a opção homo ou bissexual de alguém.

     Na Antiguidade, porém, o andrógino sempre significou a fusão de opostos e, em um caráter mais físico, a conjunção dos sexos. Em todas as épocas e civilizações têm havido cultos à divindades andróginas e o tema é debatido incessantemente não só por místicos das mais diferentes vertentes mas também pela psicologia e até no imaginário da moderna produção literária.

     Portanto, estudar sobre o andrógino primitivo é percorrer caminhos os mais variados. Ora estamos no terreno mitológico, ora em busca de explicações científicas. Independente de qualquer caminho tomado, a figura do andrógino quer, todo o tempo, nos falar de Amor.

     “Parece-me que os homens absolutamente não se dão conta do poder do amor”, diz Aristófanes no Banquete, de Platão. Este, diz que Eros, o primeiro dos deuses, tinha ambos os sexos e deixa que o tema seja exposto por Aristófanes. Diferente de hoje, havia três gêneros: o macho, a fêmea e o andrógino. Sua rebeldia contra o Olimpo gera a história da separação.

 “Ameaçaram os imortais de levar ao Olimpo o tumulto da guerra impetuosa (...)”, vê-se na Odisséia, de Homero. Zeus se pergunta se será preciso tolerar sua insolência ou fulminá-los e perder assim as honras e oferendas que vêm deles? Após longa reflexão, decide torná-los mais fracos. “Vou cortar cada um deles pela metade. Assim ficarão mais fracos, e ao mesmo tempo terão mais para nos oferecer, já que seu número terá aumentado. Andarão eretos sobre suas duas pernas”.

     Zeus torna a ameaça-los com um novo corte que os fariam andar em um pé só, se não se mantivessem tranquilos. Cortados ao meio, os homens têm ajuda de Apolo que fica encarregado de virar seus rostos e esticar sua pele sobre o ventre deixando só uma abertura - o umbigo - para que se lembrem do ocorrido.

     O homem, então, saudoso de sua metade, empreende uma busca por ela, desejando tornar-se novamente um único ser. Assim, os que eram homens buscam uma metade de homem, os que eram mulheres buscam uma metade mulher (e, usando o mito, são para os psicólogos e sexólogos, estes dois primeiros, os homossexuais) e, os que eram andróginos, se são agora a metade mulher, procuram sua metade homem e se são a metade homem, procuram a metade mulher. Cada um procurando unir-se à sua metade original e voltar a ser o que era.

     “Aqueles seres, que passam toda sua vida um com o outro, são pessoas que não poderiam sequer dizer o que esperam um do outro; ninguém pode crer, de fato, que seja o gozo amoroso, e imaginar que tal é a razão de sua alegria e de seu grande empenho em viver lado a lado. É outra coisa evidentemente, que quer a alma de cada um, uma coisa que ela não pode exprimir, mas torna-se o que quer e o deixa obscuramente entender”.

     A partir da história contada por Aristófanes onde se explica a atração particularmente forte do homem pela mulher, da mulher pelo homem e até das mulheres e dos homens entre si, Fernand Comte, autor de Os heróis míticos e o homem de hoje, conclui que “o amor não seria um fenômeno psicológico nem um fenômeno físico ou espiritual, mas um elo bem mais forte, inscrito no ser mais profundo do homem, uma vez que o constitui como homem. Poderíamos dizer que o amor é ontológico”.

     Mas não param em Aristófanes as referências aos andróginos. Na Babilônia, o deus Lua Sinn era invocado como “Ó, Mãe-Útero, geradora de todas as coisas, Ó, Piedoso Pai que tomou sob seus cuidados o mundo todo”.

     Assim como T’ai Yuan, mulher sagrada de antigos mitos chineses, conjugava Yang (o princípio masculino) e Yin (o princípio feminino). No taoísmo, os princípios se unem para formar o Tao manifesto.

     No budismo há representações andróginas de Bodhisattva no Tibet e na Índia. No hinduísmo, Shiva e Shakti, os primeiros deuses de certas versões da cosmogênese hindu, formavam, no início, um só corpo, na manifestação chamada Ardhanarisha, o “Senhor Meio Mulher”.

     Entre os antigos persas, Meshia e Neshiane formavam um só indivíduo. “Ensinavam também que o homem era produto da Árvore da Vida e crescia em pares andróginos, até que estes pares foram separados devido a uma subsequente modificação da forma humana”.

No Talmud e no Zohar a androginia também está explícita: O nome Adão foi compreendido como englobando macho e fêmea. “A fêmea estava atada ao lado do macho e Deus mergulhou o macho em um profundo torpor e ele ficou estendido sobre o terreno do Templo. Então Deus separou-a dele e paramentou-a como uma noiva”.

     No Gênesis, aparece de forma mais implícita: “E Deus criou o homem à sua imagem, na Divina imagem Ele os criou; macho e fêmea os criou”. A mais respeitável obra judaica sobre a interpretação do Gênesis, o Midrasb Rabbah, diz textualmente: “Quando o Sagrado, Abençoado seja Ele, criou o primeiro homem, Ele o criou andrógino”.

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A Doutrina Secreta

     Na Antropogênese, terceiro volume d’ A Doutrina Secreta, Helena Blavatsky, após várias explanações e citações de antigos textos, diz que “o ponto em que insistimos no momento é que, seja qual for a origem atribuída ao homem, a sua evolução se processou na seguinte ordem: 1º ele foi sem sexo, como o são todas as formas primitivas; 2º depois, por uma transição natural, converteu-se em um ‘hermafrodita solitário’, um ser bissexual; e 3º deu-se finalmente a separação e ele se tornou o que hoje é”.

     Como em toda a grande obra exposta por Blavatsky, as considerações são sempre seguidas de comparações entre as diversas filosofias, religiões e ciências, mostrando que, ainda que de forma diferente, elas sempre têm a mesma base e, portanto, chegam à mesma conclusão. “A Ciência ensina que todas as formas primitivas, embora sem sexo, ‘possuem, contudo, a faculdade de passar pelo processo de uma multiplicação assexual’”, e indaga, “por que então seria excluído o homem dessa lei da Natureza”?

     No mesmo volume mostra-se ainda o conhecimento da ciência sobre a origem andrógina mas sua repulsa a essa idéia. Vale a pena citar este texto.

     “Os hermafroditas humanos primitivos são um fato da Natureza bastante conhecido dos antigos, e constituem uma das maiores perplexidades de Darwin. Mas a existência do hermafroditismo na evolução das primeiras Raças, certamente que não é uma impossibilidade; antes, pelo contrário, uma grande probabilidade, pois que, em virtude dos princípios da analogia, e de uma lei universal que rege a evolução e exerce indiferentemente sua ação sobre a planta como sobre o animal e o homem, assim deve ser. As teorias errôneas da Monogênese e as que fazem o homem descender dos mamíferos, em vez de os mamíferos descenderem do homem, são fatais para a perfeição da doutrina da evolução, tal como ensinada nas escolas modernas segundo os conceitos darwinistas, e terão que ser abandonadas ante as dificuldades insuperáveis que deparam. A tradição oculta - se os termos Ciência e Saber forem, neste particular, negados à Antiguidade - pode, só ela, conciliar as incompatibilidades e preencher a lacuna”.

     Ela fala da dificuldade que o homem atual tem de compreender o ser andrógino e como esta dificuldade é ainda maior para o ocidental materialista.

     “Será objeto da maior contestação, por parte das autoridades científica, a existência dessa Raça Assexual, a Segunda, constituída pelos Pais dos Chamados ‘Nascidos do Suor’, e mais ainda, talvez, a Terceira Raça, a dos Andróginos, ‘Nascidos do Ovo’. Estes dois modos de procriação são os mais difíceis de compreender, especialmente para a mentalidade ocidental. É evidente que não se pode intentar nenhuma explicação para quem não seja estudante de Metafísica oculta. As línguas européias não dispõem de palavras para exprimir coisas que a Natureza já não reproduz na fase atual de evolução, coisas que, por conseguinte, carecem inteiramente de sentido para o materialista. Há, porém, analogias. Não se nega que, nos começos da evolução física, devessem existir processos da natureza, como a geração espontânea por exemplo, que hoje desapareceram, repetindo-se sob outras formas”.

     Blavatsky lembra ainda o axioma talmúdico que diz: “se queres conhecer o invisível, abre os olhos ao visível” e mostra, na seguinte passagem de The Descent of Man, de Darwin, como este esteve próximo de aceitar tal ensinamento.

     “Sabe-se desde há muito tempo que, entre os vertebrados, cada sexo possui os rudimentos de diversas partes acessórias do sistema reprodutivo próprio do sexo oposto... Parece que algum remoto progenitor de toda a classe dos vertebrados foi hermafrodita ou andrógino; mas aqui nos defrontamos com uma singular dificuldade. Entre os mamíferos, os machos são dotados de rudimentos de um útero com passagens adjacentes nas vesículas prostáticas; possuem também rudimentos de mamas, e entre os marsupiais alguns machos conservam vestígios de um saco marsupial. Outros fatos análogos poderiam ser mencionados. Devemos então supor que alguns mamíferos antiquíssimos permaneceram andróginos, depois de haverem adquirido as características principais de sua classe e, por conseguinte, depois de se terem afastado das classes inferiores dos vertebrados? Afigura-se bem improvável, pois temos que nos reportar aos peixes, a mais inferior de todas as classes, para encontrar algumas formas andróginas ainda existentes”.

     No restante do discurso, Darwin mostra claramente sua repugnância em aceitar a hipótese da existência de um tronco primitivo andrógino do qual provieram os mamíferos.  (continua...)



Escrito por Flor do Asfalto às 10h24 AM
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Solve e Coagula

Onde também encontra-se o ideal do Andrógino Divino, não para aqueles que a estudam superficialmente, mas para os que procuram o que há de mais profundo nas ciências ocultas, é na Alquimia. Ao empreender a Grande Obra, o alquimista não intenta apenas conseguir a transmutação de metais comuns em ouro o elixir da longa vida, o segredo da juventude eterna.

     Cada estágio do processo alquímico, físico, tem uma contrapartida de natureza espiritual. O aforisma solve et coagula (dissolva e combine) contém o segredo da alquimia. A cada passo do processo substâncias são removidas e outra, mais nobre, aparece. A contrapartida espiritual é evidente. É a “morte e renascimento” tão familiar a muitas religiões.

     No estágio final da Grande Obra, “O rei é reunido, no Fogo do Amor, a sua abençoada Rainha”. O alquimista torna-se, então, o Ser Perfeito, o Andrógino Divino.

     Um dos grandes mistérios do nosso século, a identidade do iniciado conhecido por Fulcanelli (uma aproximação fonética de Vulcano, o deus ferreiro da mitologia romana, e Helios, o divino condutor do carro do Sol entre os antigos gregos), autor de O mistério das catedrais e As mansões filosofais, nos traz relatos, supostamente verídicos, de que tal objetivo alquímico é possível.

     Eugène Canseliet, último discípulo de Fulcaneli, sempre preservou a identidade de seu mestre e é a partir de seus relatos que se sabe alguma coisa desse misterioso alquimista.

     Em uma carta enviada a Walter Lang, autor da introdução da edição inglesa de O mistério das catedrais, Canseliet diz que, quando de sua colaboração com Fulcanelli, este “já era um homem bastante idoso, embora não se deixasse tolher por seus oitenta anos. Trinta anos depois, eu o encontrei novamente... e Fulcanelli não parecia ser mais velho do que eu”.

     Ele estaria com mais de cem anos e, segundo os relatos de Canseliet, parecia um jovem andrógino.

     Esse tipo surpreendente de transformação é facilmente encontrado em textos clássicos de literatura relacionados à alquimia. Seria um dos meios de atuação do elixir da vida. A pessoa perderia todos os pelos, os dentes e as unhas. Quando tornassem a crescer, o indivíduo assumiria feições mais jovens e macias, como a de um hermafrodita.

     Teria o misterioso Fulcanelli completado a grande obra? Em seu livro As moradas filosofais ele chama a atenção para uma das quatro estátuas no túmulo de Francisco II, na Catedral de Nantes, e chama a escultura de Prudência.

     De frente, a estátua mostra uma linda jovem vestindo uma longa túnica e manto com capuz e parece fascinada com seu próprio reflexo em um espelho convexo que segura em sua mão esquerda. Na direita, há um conjunto de compassos - que dispensa maiores comentários. Atrás da cabeça da jovem existe o rosto de um velho sábio que parece absorto em meditação.

     A figura é comparada por Fulcanelli ao deus Janus, de duas faces, filho de Apolo e Creusa. Segundo ele, a escultura representa a natureza em todos os seus aspectos, interiores ou exteriores. Porém, sob seu véu exterior, surge a imagem alquímica e, então, “somos, por meio dos atributos” (por meio da natureza), “iniciados nos segredos da segunda” (a alquimia).

     Segundo as conclusões de Kenneth Johnson, em seus estudos sobre alquimia e, baseado no pensamento Jungiano, “o simbolismo do Andrógino Divino não é apenas físico ou sexual. Seu maior e mais profundo significado parece evocar estabilidade, harmonia, equilíbrio perfeito, em todos os momentos possíveis”, e completa, “no sistema da Cabala - síntese de séculos de misticismo judaico - esse aspecto de harmonia é expresso em várias passagens da Assembléia Sacra Menor: ‘Quando a Noite está unida ao Rei na excelência do Sabá, todas as coisas se fazem então um único corpo (...) e a beleza do feminino é completada pela beleza do masculino (...) Quando a Mãe une-se ao Rei, os mundos recebem uma benção e se acham na alegria do universo’”.

 

As várias faces

     Para Escoto Erígena, teólogo do século IX, a explicação para o mito está no fato de que na unidade reside a perfeição; na divisão, a decadência, e que a salvação está no retorno à unidade de origem.

     Já Ariosto, no século XVI, em Orlando Furioso, dessacraliza o mito e serve-se dele como um trunfo grosseiro na história dos casal de gêmeos Bradamante e Ricardeto. Muito diferente é a postura de Balzac em Séraphîta (1853). O autor faz longas elaborações em torno das teorias teosóficas de Swendenborg (1688-1772) e deixa claro que, para ele, o andrógino é o ser fantástico que faz a ligação entre o céu e a terra, entre o divino e o mundano, um ser que reúne em si todas as qualidades humanas, um ser que unifica.

     Séraphîta é como um homem perfeito, uma criatura de extrema beleza e erudição que reúne em seu espírito - e também em seu corpo - as virtudes de ambos os sexos. Ora chamado de Séraphîta, ora de Séraphîtus, é amado por Wilfrid - aos olhos de quem passa por uma mulher - e por Minna - aos olhos de quem passa por homem, permanecendo ao mesmo tempo próximo e afastado dos dois. Ele/Ela tenta fazer com que os dois abandonem seus desejos terrenos e se elevem até ele. No fim da história, Séraphîta sobe ao céu e indica a Minna e Wilfrid o caminho a seguir. “De repente, ele se ergueu para morrer (,,,) Seus últimos cantos não foram expressos nem pela palavra, nem pelo olhar, nem pelo gesto nem por nenhum dos sinais que servem aos homens para comunicarem seus pensamentos, mas como a alma se fala a si mesma; pois, no instante em que Séraphîta se revelava na sua verdadeira natureza, suas idéias já não eram escravas das palavras humanas”.

     Mademoiselle de Maupin (1835/36), de Théophille Gautier leva o mito do andrógino a um nível mais realista e profano, fazendo com que a jovem Madeleine faz-se passar por homem procurando entender melhor a natureza masculina, mas seus planos não correm como planejado e ela acaba por se apaixonar por D’Albert e Rosette.

     Em Chants de Maldoror (1868), de Lautréamont, Hermafrodito é descrito como dono de “traços que exprimem a energia mais viril, ao mesmo tempo que a graça de uma virgem celeste. Nada parece natural nele, nem sequer os músculos de seu corpo, que abrem uma passagem através dos contornos harmoniosos das formas femininas”. Em determinado instante, “quando vê um homem e uma mulher que passeiam por uma alameda de plátanos, sente seu corpo fender-se de alto a baixo, e cada parte nova ir abraçar um dos passantes; mas é só uma alucinação, e razão não tarda a retomar seu império”.

     A fusão é sempre buscada consciente ou inconscientemente em qualquer leitura do mito. Robert Musil, em O homem sem qualidades, mostra o reencontro de um casal de gêmeos após muito tempo de separação. Ela acabara de deixar o marido; ele, um errante. O encontro, mais uma vez, mostra o retorno à unidade original na qual se encontra a felicidade do ser humano.

     “Nunca houve criatura. Nunca houve mais que o casal”, diz Jean Giradoux, em Sodome et Gomorrhe (1943), “Deus não criou o homem e a mulher um depois do outro, nem um do outro. Criou dois corpos gêmeos unidos por tiras de carne que depois ele cortou, num acesso de confiança, no dia em que criou a ternura. E, no dia em que criou a harmonia, fez de cada um desses corpos idênticos a dessemelhança e o próprio encaixe. E, enfim, no dia em que Deus teve seu único acesso de alegria, quis dar a si mesmo um louvor, criou a liberdade e delegou ao casal humano o poder de fundar neste baixo mundo as duas recompensas, os dois prêmios de Deus: a constância e a intimidade humana”.

     Mais conhecido para o leitor brasileiro é o romance de Milan Kundera, A insustentável leveza do ser, onde se expressa, de maneira erótica, as dificuldades da busca do casal de origem e a facilidade de procura daquele que se realiza efetivamente. Mas o arquétipo andrógino está exposto de maneira rica e modificada se comparada às outras obras aqui citadas, em Grande Sertão: Veredas (1956), de João Guimarães Rosa.

     Há de se concluir que o indivíduo só se realiza verdadeiramente no casal que é sua origem e onde está sua verdadeira essência. É responsabilidade de cada um cumprir essa união através deste templo que nos foi concedido, juntá-lo a outro e erigir um maior e verdadeiramente divino.

   O ideal do Andrógino Divino não é para ficar no mito, nas discussões estéreis ou no imaginário. Ele deve ser realizado.

Por Sandro Fortunato - Revista ISIS



Escrito por Flor do Asfalto às 10h11 AM
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Algumas Histórias Sobre Hermafroditas

Escultura Grega - Hermafrodita Adormecido - Museo do Louvre - Paris

Os hermafroditas sempre existiram, apesar de durante séculos a medicina negar isso. Há uma grande variedade de pinturas e estátuas gregas sobre o tema. Os gregos pareciam ser fascinados pelo tema e explicavam o fenômeno através da união do filho de Hermes com a Afodite, que teria dado origem a um ser metade homem, metade mulher (ilustrando este texto, coloquei duas estátuas gregas sobre o tema). Mas os primeiros relatos históricos ocorrem a partir da Idade Média.


Em uma delas o abade do mosteiro de Santa Genoveva descobriu que faltava dinheiro no tesouro do mosteiro e as suspeitas recaíram sobre um jovem que morava lá desde os 12 anos. O abade ordenou que fosse desnudado e açoitado. O rapaz se desesperou com a pena e pediu misericórdia. Disse que tinha nascido homem, mas que com o tempo percebera que era mulher. Nisso o verdadeiro ladrão foi pego. O abade pediu o exame de médicos, que chegaram à conclusão de que se tratava, de fato, de uma mulher. Ela passou a se vestir de mulher, casou-se e teve dois filhos.
Casos como esse, como final feliz, são a excessão quando se trata de hermafroditas.


Um caso que escandalizou a França no século XVII foi o de Marie le Marcis.
Ela nascera mulher, de uma família pobre, que a colocou para trabalhar como camareira. Em das casas em que trabalhou, teve que dividir a cama com uma enfermeira viúva, Jeanne Lefébure. Na intimidade da noite, revelou a ela a curiosidade de sua sexualidade e as duas começaram a se relacionar.
O amor foi crescendo e as duas decidiram se casar. Elas foram falar com Guillaume, pai de Marie, mas ela tentou convencê-las a mudar de opinião. Elas foram então procurar os parentes de Jeanne, que as aconselharam a consultar a penitenciária de Rouen. Para viajar, Marie se vestiu de homem e passou a se chamar Marin.
As duas foram presas assim que se descobriu o caso e levadas a um tribunal. O juiz se viu sem saber o que fazer já que, apesar dos sinais aparentes de feminilidade, as duas declaravam que Marie era na verdade um homem. A viúva chegou a declarar inclusive que o seu sexo era perfeitamente capaz de realizar os atos maritais e que Marie, inclusive a satisfazia mais do que seu antigo marido.
Uma junta de especialistas foi chamada e conclui que Maria não tinha nenhum sinal de virilidade.
No julgamento, Marie reclamou que os supostos especialistas não haviam examinado seu sexo. Mas o processo estava encerrado e as duas foram entregues à Câmara do Conselho.
O procurador do rei pediu ambas fossem condenadas, declarando-se culpadas com a cabeça e os pés descobertos, diante de uma igreja. Depois Marie seria queimada viva e seus bens confiscados. Jeanne assistiria à execução de sua cúmplice e depois seria açoitada e expulsa da região.
Entretanto, antes que as penas fossem aplicadas, elas foram levadas ao Parlamento de Rouen, que pediu um novo exame de uma equipe de especialistas composta por 10 doutores em medicina, dois praticantes e duas parteiras.
Marie foi examinada e a equipe declarou que não encontrou nela qualquer traço feminino, mas um dos médicos se revoltou com o exame superficial, já que a comissão havia se contentado com exames externos alegando que seria indecente apalpar o sexo da acusada. Mesmo diante da hojeriza dos colegas, ele examinou Marie e percebeu que ela era viril. Foi a salvação das duas, que foram inocentadas. Marie foi orientada a continuar se vestindo de mulher até os 25 anos e foi proibida de manter relações sexuais com qualquer pessoa, sob pena de morte.


Pouco tempo depois, uma disputa por poder revelou outro famoso famoso caso de hermafroditismo na França.
Nessa época a abadessa do Convento das Filhas de Deus cedeu seus benefícios eclesiásticos à sobrinha, senhorita d´Appremont. Mas havia uma outra pretendente ao cargo, irmã Damilly, que, em sua ofensiva, acusou d´Apremont de ser hermafrodita.
O advogado de defesa alegou a lei de Longi tempori preascriptione, segundo a qual não se deve perturbar aqueles que estão de boa fé, na posse de algo por mais de 20 anos. A freira possuía sua feminilidade há mais de 50 anos e, portanto, seu sexo não poderia ser questionado. Além disso, a religiosa se opunha a qualquer exame: Não há nada de mais vergonhoso que este exame para o qual nem a noite tem suficiente escuridão, nem a natureza suficientes véus".
O caso foi levado à corte eclesiástica de Chartres e se recorreu apenas a testemunhos de pessoas que diziam ter feito sexo com a religiosa. Como consequência, d´Appremont foi considerada culpada de abusar dos dois sexos e condenada a ser enforcada e depois queimada.
O advogado da condenada apelou e conseguiu que a freira fosse examinada por especialistas, que concluiram que d´Appremont tinha os dois sexos. Ela foi, então, condenada a ser presa e açoitada e todos os seus bens foram confiscados.


Outtro caso que angariou atenções na França e serviu de exemplo por parte dos iluministas, de que era necessária uma era de razão foi o Jean-Baptiste Grandjean. Ele nasceu mulher, com o nome de Claudine, mas aos 14 anos começou a perceber alterações não só físicas, mas também emocionais. Ela só se interessava por moças. A pedido do pai, foi se confessar com um padre, que disse que ela deveria se vestir de homem, pois continuar se vestindo de mulher seria cometer pecado contra a religião.
Assim Claudine virou Jean-Baptiste e chamou a atenção de todas as moças da região. A primeira a manter relações com ele foi uma tal de Legrand, que seria fatal para o hermafrodita.
Algum tempo depois ele conheceu Françoise Lambert e se casou com ela. Quis um destino que um dia a esposa se encontrasse com a antiga amante do marido, que a alertou para o fato de que seu esposo era um hermafrodita.
A mulher consultou um confessor, que a aconselhou a não ter mais intimidades com o marido até que o caso fosse esclarecido. O casal ficou de visitar o Vigário, mas antes que isso ocorresse, Legrand já havia espalhado para todos o caso.
A história chegou ao ouvido do Procurador, que ordenou a prisão de Jean-Bapitiste e posterior exame.
Uma comissão designada concluiu que, embora tivesse traços de virilidade, a pessoa em questão era uma mulher.
Grandjena foi condenado por profanar o sagrado sacramento do casamento. Seri exposto em praça pública por três dias, açoitado e ficaria em prisão perpétua.
O rapaz apelou ao parlamento e passou a ser defendido pelo famoso advogado Verneil. Este analisou melhor o relatório dos especialistas e concluiu que seu cliente tinha sexualidade indefinida. Ele alegou que seu cliente tinha presunção de boa-fé, o que atenuava o delito.
O parlamento admitiu a argumentação e absorveu o réu, mas também anulou seu casamento e impediu-o de casar novamente. Foi o último caso de hermafrodita levado aos tribunais

Nos dias de hoje nós hermafroditas, intersexos, travestis e transexuais não somos mais condenados a morte física, hoje nos condenam à morte social, à invisibilidade e à patologia.

Beijos a tod@s!

Claudia Wonder

dados: ivancarlo.blogspot.com



Escrito por Flor do Asfalto às 01h00 PM
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EUA: Transexual masculino, no quinto mês de gravidez enfrenta problemas com preconceito, mas está feliz!

 

Thomas Beatie, um transexual masculino casado, dará à luz uma menina no próximo inverno. Depois de várias tentativas para engravidar e após ter sido rejeitado pela sociedade e a sua família, agora enfrenta o preconceito dos médicos, informou a revista The Advocate.

Beatie submeteu-se a uma cirurgia para retirar os seios e a um tratamento de testosterona para adquirir o aspecto masculino, mas conservou os seus órgãos reprodutores femininos.

Casado há mais de dez anos sempre quis ter um bebé mas a mulher de Beatie, Nancy, sofreu uma endometriosis há 20 anos e por culpa dessa doença foi sujeita a uma histerectomia que a impede de ter filhos.

Logo que conseguiram ter uma situação económica confortável, o casal tomou a decisão de Beatie assumir a gestação do bebé.

"Tinham passado oito anos desde a minha última menstruação mas o meu corpo já se regulava por si mesmo e não tinha que tomar estrógenos nem progesterona, nem sequer medicamentos para favorecer a fertilidade com o fim de ajudar-me na gravidez", assegurou Beatie.

O plano deste casal deparou-se então com a oposição da comunidade médica, vizinhos e familiares.

"Os médicos nos discriminavam pelas suas crenças religiosas, alguns se negavam a chamar-me pelo nome masculino e a reconhecer Nancy como minhas mulher. Os recepcionistas riam de nós e os amigos nos negaram apoio. Grande parte da família de Nancy não sabia que eu era transsexual", explicou Beatie.

O primeiro médico endocrinologista que os atendeu rejeitou o caso porque a sua equipe se sentia incomodada em tratar "alguém como ele".

Depois de um ano em que correram nove médicos e gastaram milhares de dólares, Thomas e Nancy conseguiram aceder a um banco de esperma para fazer o seu bebé.

Todavia, a primeira tentativa não teve êxito e o óvulo fecundado instalou-se fora do útero, levando Beatie à sala de operações onde lhe retiraram uma das suas trompas de falópio.

«Quando o meu irmão soube da perda do feto disse: "Foi bom que acontecesse. Quem sabe que tipo de monstro teria sido?".

A segunda tentativa teve mais êxito e Beatie está agora grávido e espera dar à luz uma menina por volta de 3 de Julho deste ano.

"Como se sente um homem grávido? Incrível. Estou estável e seguro de mim mesmo como homem que sou. Me vejo como sucedâneo de mim mesmo. Eu serei o pai, Nancy a mãe e seremos uma família!", confessou Beatie, questionando o que é ser "normal" para a sociedade.

Pedro Costa
 



Escrito por Flor do Asfalto às 09h53 AM
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A teoria queer e os intersex: experiências invisíveis de corpos des-feitos

 

A teoria queer emergiu como uma corrente teórica que colocou em xeque as formas correntes de compreensão das identidades sociais no mesmo período em que a problemática dos intersex se tornou socialmente visível. Apesar disso, a reflexão queer sobre os intersex é muito recente. Os intersex impõem reflexões sobre experiências invisíveis, paradoxos identitários e os limites do que compreendemos como humano. Neste artigo, exploro as diferentes definições sobre quem são os intersex, como a teoria queer lida com eles e, concluo com uma reflexão sobre a experiência corporal dos sujeitos marcados como intersex.

Nádia Perez Pino

 

Experiências invisíveis

Tornar visível a experiência de alguém invisibilizado socialmente, ou melhor, de uma identidade marcada como abjeta e/ou estigmatizada, seria suficiente para escrever sua história? Segundo a historiadora e teórica feminista Joan W. Scott (1998), o caminho que parte da identidade como auto-evidente e busca retraçar sua história constitui um procedimento teórico equivocado. Embora tenha sido considerado durante muito tempo um procedimento exitoso para aqueles empenhados em escrever as histórias das diferenças socialmente construídas, essa estratégia como "porto seguro" das explicações pode resvalar para o oposto: de uma tentativa construcionista pode recair no essencialismo que toma como dadas identidades sociais, o que terminaria por invisibilizar os processos que constituíram esses sujeitos.

Os estudos que partem das identidades e voltam-se para a reconstituição de suas histórias as encaram como fixas e, portanto, tomam como ponto de partida da investigação o que deveria ser o de chegada. Para Scott, a experiência não deve ser o ponto de partida da explicação, antes o que devemos explicar, isso porque são as experiências que constituem os sujeitos e não os sujeitos que têm experiências. Um novo procedimento teórico- metodológico que problematize as identidades por meio de uma reconstituição e análise das experiências dos sujeitos em questão permite problematizar não as identidades, mas os processos sociais envolvidos em sua construção.1

Os intersex constituem mais uma daquelas identidades que associamos à invisibilidade, pois sobre eles pouco se sabe e pouco se fala. A maior prova do desconhecimento, do silêncio ou, nas palavras de Mariza Corrêa (2004), "do segredo" em torno da condição intersex, é que apenas recentemente o assunto deixou de ser restrito aos saberes médicos e biológicos sendo progressivamente incorporado pelas discussões sociológicas, antropológicas, pela crítica feminista e pelos estudos queer. A intersexualidade suscita importantes reflexões sobre os paradoxos identitários quase invisíveis, propiciando análises sobre a construção do corpo sexuado, seus significados sociais e políticos, assim como sobre o processo de normalização e controle social não apenas dos intersex, mas também de todos os corpos.

Quem são os intersex? Ao buscar a resposta, o que se encontra é um emaranhado de definições vindas de diferentes sujeitos e de diferentes discursos, como os ativismos intersex e a perspectiva da medicina. Tentar resolver os impasses acerca da definição mais correta talvez não seja o melhor caminho, justamente porque é na indefinição do termo que podemos analisar os muitos significados atribuídos aos intersex.

Intersex é um termo de origem médica que foi incorporado pelos ativismos para designar as pessoas que nascem com corpos que não se encaixam naquilo que entendemos por corpos masculinos ou femininos. Segundo a ISNA2, intersex é uma definição geral usada para explicar a variedade de condições nas quais as pessoas nascem com órgãos reprodutivos e anatomias sexuais que não se encaixam na típica definição de masculino ou feminino.3 São corpos que destoam de nossos parâmetros culturais binários, que embaralham e causam estranheza para aqueles que os vê ou que não se enquadram no que Susan Bordo chama de representações de corpos inteligíveis que "abrange nossas representações científicas, filosóficas e estéticas sobre o corpo – nossa concepção cultural de corpo, que inclui normas de beleza, modelos de saúde e assim por diante" (Bordo, 1997:33). São corpos que deslizam nas representações do que se considera como verdadeiramente humano, situando-se nos interstícios entre o que é normal e o que é patológico. Esta "não-humanidade" ou "anormalidade" justificará as intervenções médicas com o intuito de adequá-lo ao ideal do dimorfismo sexual.

É muito comum à associação do intersex com o hermafrodita, pessoa que possui os dois sexos. Segundo Mauro Cabral, ativista intersex e pesquisador da temática, essa associação presente em nosso imaginário cultural é oriunda das artes e da mitologia, mas não condiz com a realidade do corpo intersex, sendo que o conceito chave para entender a intersexualidade é a variedade, já que o corpo intersex não encerra um corpo único, mas um conjunto amplo de corporalidades possíveis (Cabral & Benzur, 2005:284) Continua...

A teoria queer e os intersex

Os estudos queer emergem na década de 1980 como uma corrente teórica que colocou em xeque as formas correntes de compreender as identidades sociais. Descendendo teoricamente dos estudos gays e lésbicos, da teoria feminista, da sociologia do desvio norte-americana e dos pós-estruturalismo francês, a teoria queer surge em um momento de reavaliação crítica da política de identidades.6 Assim, busca evidenciar como conhecimentos e práticas sexualizam corpos, desejos, identidades e instituições sociais numa organização fundada na heterossexualidade compulsória (obrigação social de se relacionar amorosa e sexualmente com pessoas do sexo oposto) e na heteronormatividade (enquadramento de todas as relações – mesmo as supostamente inaceitáveis entre pessoas do mesmo sexo – em um binarismo de gênero que organiza suas práticas, atos e desejos a partir do modelo do casal heterossexual reprodutivo).

Embora não possa ser definida como um todo único, já que em seu interior há divergências e diferenças, e querer unificá-las contraria seus objetivos políticos (Pereira, 2006), a teoria queer pode ser compreendida a partir das questões que a originaram e as que, atualmente, se tornaram seu foco. O termo queer pode ser traduzido como esquisito, anormal, excêntrico e também é utilizado em tons depreciativos e homofóbicos para designar gays e lésbicas. Segundo Annemarie Jagose (1996), o termo faz parte do vocabulário semântico para entender a homossexualidade desde o século XIX e, recentemente, ganhou significado político pela incorporação teórica e adoção pelos movimentos sociais. Atualmente, é usado como um conceito guarda-chuva que abrange a coalizão da cultura sexual marginalizada, que se auto-identifica como queer, outras vezes para descrever a nascente teoria que tem se desenvolvido distante dos estudos mais tradicionais sobre gays e lésbicas. No entanto, o termo se caracteriza pela indefinição, elasticidade e abrangência, o que, para Guacira Lopes Louro (2001:546), representa "claramente a diferença que não quer ser assimilada ou tolerada, e, portanto, sua forma de ação é muito mais transgressiva e perturbadora".

A teoria queer pensa os sujeitos e as práticas sexuais que ultrapassam a oposição homossexual/heterossexual, mulher/ homem, apontando para a variedade e diversidade das subjetivações e das práticas que não se enquadram no que Judith Butler (2003:48) chama de gêneros inteligíveis, "aqueles que mantêm e instituem relações de coerência e continuidade entre o sexo, gênero, desejo e prática sexual". O queer descreve os gestos ou modelos analíticos que mostram as incoerências da suposta relação estável, revelando que a heterossexualidade não é natural, antes efeito do poder, do controle e da regulação social.

Assim, a teoria queer tem por objeto os sujeitos que não se enquadram nas matrizes de inteligibilidade de gênero. No entanto, as identidades sexuais "transgressoras" não são seu único foco, pois ela interroga os processos sociais que produzem, reconhecem, naturalizam e sustentam as identidades. Sua promessa política reside na crítica aos múltiplos binarismos e aparentes antagonismos sociais expressos em categorias que incluem raça, gênero, classe, nacionalidade e religião, todas não apenas somadas, mas necessariamente relacionadas com a sexualidade (Eng et alii, 2005). Dispensa atenção aos indivíduos que não se conformam às regras e, portanto, vivem nas zonas de abjeção, lugares nos quais sua própria humanidade é contestada, exatamente por não corresponder aos ideais normativos do humano. A estratégia do queer é politizar a abjeção, impulsionar sua resignificação com a finalidade de criar estratégias de sobrevivência para que as vidas queer sejam legíveis, valorizadas, merecedoras de apoio e de reconhecimento (Butler, 2002:47).

Muitas vezes, a teoria queer é interpretada como aquela que subverte, questiona, des-constrói, pluraliza as identidades. Embora esses termos pertençam ao vocabulário comumente usado para definir suas características, isso não significa desconsiderar as identidades ou muito menos afirmar que é possível viver sem elas. O chamado para a "desconstrução" é um procedimento teórico e metodológico que tem por finalidade pensar os processos sociais e históricos que criam e naturalizam as identidades e as relações de poder que as constituem. Dessa maneira, como aponta Jagose, o termo mais adequado para o procedimento teórico queer não é desconstrução, antes "desnaturalização" das identidades. Continua...

Leia o dossiê completo em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-83332007000100008&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

Leia também; Teoria Queer: Uma política pós-identitária para a educação em: http://www.antroposmoderno.com/antro-articulo.php?id_articulo=1031



Escrito por Flor do Asfalto às 07h24 PM
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“Boneca Sai da Caixa”

"Boneca Sai da Caixa" é o nome da exposição fotográfica realizada pelos monitores do Laboratório de Fotografia da Faculdade de Comunicação da UFBA, com vernissage marcado para o dia 3 de Abril às 19 horas, em Salvador, BA.

 Imagens de corpos migrantes, figurações que retratam identidades nômades, sem fronteiras claras, que se recusam às classificações e aos modos socialmente aceitos de pensamento e de conduta. Corpos sexuados que posam para uma câmara amável, que convida a um recorrido não convencional. Fotos que mostram corpos de interface, corpos como mosaicos de peças desmontáveis, brinquedos de armar...

Boneca sai da caixa! Quase uma ordem para sair a brincar um jogo que nem sempre é risonho, por que mobiliza também intolerância, pré-conceito e  violência.

                                                      

As imagens desta mostra se comprometem com a paródia, com sua força política, com belezas deslocadas, com corpos em estado de tradução permanente. Os retratos deste jogo têm a possibilidade de oferecer pistas para pensar formas alternativas de estar no mundo, de amar, de ser viajantes do desejo.

                                                                          

                                    

 

Não é preciso ir longe nem sair de mala e cuia. Podemos ser nômades sem sair de casa, apenas jogando o jogo das máscaras, do faz de conta, como neste pequeno teatro montado em paralelo à Parada Gay de Salvador do ano passado. Atores cujas fantasias - cheias de detalhes, brilhos, lantejoulas e paetês – nos dizem que o verdadeiro está na aparência. Posaram sem pudores pelo prazer de anunciar que são o que escolheram ser e que máscaras não são caretas. Poderemos, algum dia, olhar para essas fotos como retratos das diferenças e não como desvios?

                                       

Pelo direito de ser, de existir e, principalmente, de brincar para além do dia da Parada Gay, as imagens produzidas por estes jovens fotógrafos podem ser visitadas todos os dias, entre 3 e 30 de abril, das 8 às 19 horas no salão de artes do Instituto Cervantes, situado na Ladeira da Barra, cidade de Salvador, Bahia. A exposição faz parte da mostra de cinema “Possíveis Sexualidades”.

                                       

Exposição Fotográfica "Boneca sai da Caixa”.
Onde: Instituto Cervantes, Ladeira da Barra. Salvador, Bahia, Brasil.
Quando: 03 a 30 de abril das 8 às 19 horas.
Realização: Laboratório de fotografia da Facom - UFBA
Site: http://www.labfoto.ufba.br/



Escrito por Flor do Asfalto às 03h17 PM
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São Paulo ganha Centro de Referência da Diversidade

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, discursa durante a cerimônia de inauguração do Centro de Referência da Diversidade.

A cidade de São Paulo ganhou nessa última terça-feira, dia 12 de março, o Centro de Referência da Diversidade (CRD), que surge da parceria do Projeto de Inclusão Social Urbana – Nós do Centro e do Gupo Pela Vida com a Prefeitura de São Paulo e a União Européia.

O CRD surge com o objetivo de dar assistência a homens, mulheres, travestis e transexuais profissionais do sexo em situação de vulnerabilidade, desenvolvendo oficinas profissionalizantes com atividades direcionadas à geração de renda e inserção dos participantes no mercado de trabalho.

"Inicialmente, os profissionais do Centro de Referência da Diversidade estarão acolhendo e cadastrando o público-alvo. Feito o cadastramento, as pessoas serão encaminhadas para as atividades do próprio centro como as oficinas, grupo de convivência e à rede de parceiros existentes em áreas como saúde, assistência social e direitos humanos", explica a coordenadora do CRD, Ana Paula Alberico.

 O coquetel de abertura contou com a presença do prefeito Gilberto Kassab, que em seu discurso salientou que a criação do CRD mostra que seu governo é progressista. Também estiveram presentes, entre outras autoridades, o vereador Gilberto Natalini e o representante da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Antonio Floriano Pereira Pesaro.

   
                                           


                               O vereador Gilberto Natalini, Mario Scheffer do Grupo Pela Vida e a coordenadora do CRD Ana Paula Alberico.


A comunidade GLBT se fez presente com um show de artistas transgêneros e a exposição de fotos da mostra Retratos de Uma Cidade Escondida, do fotógrafo e militante dos direitos humanos Barry Michael Wolfe. Claudia Wonder, coordenadora do Grupo de Estudos Flor do Asfalto, que também faz parte da equipe de trabalho do CRD como monitora de abordagem, representou o segmento de travestis e transexuais na cerimônia. Segundo ela, a "criação do CRD é um grande passo em direção a cidadania desse segmento.

 

 

                                Claudia Wonder do Flor do Asfalto fala da importancia do Centro de Referência da Diversidade.

                                                              

     Raphaelle Faria apresenta seu belíssimo show.                                                            Letícia Venturini arrasou de Clara Nunes

                                                       

                                     Stefanie di Bourbon arrancou gargalhadas do público presente com sua versão de "Rebeldes"

               A Flor do Asfalto aplaude essa iniciativa. Parabéns a tod@s!

Fotos: Barry Michael Wolfe



Escrito por Flor do Asfalto às 07h04 PM
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Travesti gaúcha é homenageada no Dia Internacional da Mulher

Para comemorar a passagem do Dia Internacional da Mulher, 8 de março, a prefeitura de Porto Alegre, RS está organizando diversas atividades sob a coordenação da Secretaria Municipal de Coordenação Política e Governança Local.

Dentre as atividades, destaca-se a entrega de diplomas pela Governadora do Estado, sra. Yeda Crusius e o Prefeito José Fogaça às mulheres que se destacaram nas ações de parceria com o município, em prol do desenvolvimento da cidade e da melhoria das condições de vida das comunidades onde estão inseridas.

Uma das homenageadas será a defensora dos direitos humanos de travestis e transexuais, Marcelly Malta, presidenta da Igualdade - Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul, entidade filiada à ABGLT - Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais e à ANTRA - Associação Nacional de Travestis e Transexuais, além de ocupar a Presidência do Conselho Municipal de Direitos Humanos da cidade de Porto Alegre, RS. (foto acima).

A entrega do diploma será realizado neste sábado, 8 de março, a partir das 9h30, no Salão Nobre do Paço Municipal, com presença de autoridades locais e convidados

Marcelly, ao receber a notícia, pensou inicialmente tratar-se de um trote. "Não acreditei ao receber a notícia, pensei que era brincadeira de alguém, mas logo em seguida fiquei emociada ao saber que as pessoas estão compreendendo o que significa identidade de gênero e ser homenageada, junto com outras mulheres nesta data, é um avanço para todo o movimento GLBT e deve ser comemorado!", sintetiza Marcelly.



Escrito por Flor do Asfalto às 12h09 PM
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Recicladora de lixo e transexual vê seu sonho realizado após conseguir mudar seu nome e sexo na identidade

A Assessoria Jurídica do grupo SOMOS - Comunicação, Saúde e Sexualidade, entidade de defesa e promoção dos Direitos Humanos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros de Porto Alegre, RS que desenvolve o Projeto Libertas, com apoio do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, garantiu, no início desse ano, mais uma vitória na Justiça para as transexuais, tornando-se referência em ações desse tipo.

A transexual Alexsandra Sander da Silva, (foto) 27 anos, coordenadora do galpão de reciclagem de lixo do loteamento Cavalhada viu reconhecido, pela Vara de Registros Públicos de Porto Alegre, seu direito à retificação de seu registro civil, alterando seu prenome masculino para feminino e, também, seu sexo de masculino para feminino.

Este foi o primeiro processo com esse teor defendido pelo SOMOS, tendo tramitado desde 2004 na Justiça gaúcha, mas que só agora chegou ao final, com sucesso. Segundo Gustavo Bernardes, advogado e presidente da instituição, “provavelmente a Justiça Gaúcha ainda não sabia como lidar com este tema, sendo um aprendizado tanto para o judiciário como para nossa instituição que já teve outras três vitórias e está com mais quatro casos em andamento na Justiça de mudança de prenome e sexo de transexuais”, sintetiza Bernardes.

“Para mim foi uma vitória! Agora posso andar de cabeça erguida e tenho coragem para sair em busca da realização de meus outros sonhos”, afirmou Alexsandra Silva.

Sugestão de fontes:
- Gustavo Bernardes/advogado e coordenador do grupo SOMOS Comunicação, Saúde e Sexualidade – cel: 51.8130.9002
- Alexsandra Silva/transexual: cel: 8109.3014

Alexandre Böer

Diretor da ABGLT para Região Sul
Jornalista e Coord. Projetos
SOMOS Comunicação, Saúde e Sexualidade
www.somos.org.br



Escrito por Flor do Asfalto às 11h00 PM
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